O deputado estadual Márcio Gualberto (PL) declarou apoio à pré-candidatura de Douglas Ruas (PL) ao Governo do Estado e fez duras críticas a Eduardo Paes (PSD), principal adversário do partido na disputa pelo Palácio Guanabara. Em entrevista ao DIÁRIO DO RIO, o parlamentar classificou o ex-prefeito como “grande ilusionista” e “camaleão político”.
Pré-candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Gualberto está no segundo mandato e preside a Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Casa. Policial civil há 23 anos, ele colocou o combate ao crime organizado e a valorização dos profissionais de segurança como prioridades para os próximos anos.

Apoio a Douglas Ruas
Ao analisar os principais nomes colocados na disputa pelo Governo do Rio, Gualberto afirmou que Douglas Ruas é, atualmente, seu candidato. O deputado destacou a experiência do correligionário como policial civil, sua formação em Direito e a passagem por cargos de gestão pública.
“Douglas, neste momento, é o meu pré-candidato ao governo do estado”, declarou.
Apesar do apoio, Gualberto disse que cobra de Ruas compromissos objetivos com os servidores estaduais, especialmente os profissionais da segurança. Entre as reivindicações citadas estão a recomposição salarial, a melhoria das escalas de trabalho, a assistência psicológica e jurídica aos agentes e a recuperação de gratificações retiradas de policiais da reserva.
O deputado também afirmou esperar que, caso seja eleito, Douglas tenha atenção às áreas de saúde e educação e mantenha contato direto com a população.
Duras críticas a Eduardo Paes
Gualberto reservou suas críticas mais contundentes a Eduardo Paes. Para o parlamentar, o candidato do PSD muda de posicionamento e de aliados conforme as circunstâncias políticas.
Ele criticou a aproximação de Paes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com lideranças de esquerda, como Marcelo Freixo e Lindbergh Farias. Também questionou a política de segurança adotada pela Prefeitura do Rio e a criação da Força Municipal, alegando que a iniciativa teria estabelecido uma diferenciação entre os novos agentes e os integrantes mais antigos da Guarda Municipal.
Segundo Gualberto, Paes não teria dado a devida atenção aos servidores municipais e, durante a campanha para a Prefeitura, teria tentado afastar do município a responsabilidade sobre a segurança pública.
Ao comentar a possível candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), Gualberto adotou um tom mais moderado. Reconheceu a experiência e o conhecimento político do ex-governador, mas avaliou que ele, por vezes, seria imprudente ao divulgar informações e fazer generalizações.
Perda de territórios para o crime
Na área da segurança, Gualberto afirmou que o Estado perdeu o controle de parcelas importantes do território fluminense para traficantes e milicianos. Segundo ele, as organizações criminosas deixaram de depender principalmente do comércio de drogas e passaram a lucrar com a cobrança de taxas sobre serviços e atividades econômicas.
O deputado citou cobranças ilegais relacionadas à internet, energia, água, transporte, aluguel de imóveis e comercialização de alimentos. Na avaliação dele, esse modelo tornou o controle territorial ainda mais importante para as facções.
Como resposta, Gualberto defendeu a instalação, na Zona Oeste, de um complexo reunindo delegacias especializadas da Polícia Civil. A proposta incluiria unidades da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Delegacia de Homicídios.
Para o parlamentar, a presença permanente dessas unidades permitiria que investigadores conhecessem melhor o território, identificassem as lideranças criminosas e respondessem com maior rapidez às disputas entre traficantes e milicianos, especialmente em bairros como Campo Grande.
Ocupação policial e presença social
Gualberto defendeu que áreas dominadas pelo crime sejam inicialmente retomadas pelas forças policiais. Depois dessa primeira etapa, segundo ele, o poder público precisa garantir a permanência do Estado por meio de políticas sociais.
O deputado citou ações educacionais, profissionalizantes, tecnológicas e religiosas como necessárias para impedir que os territórios voltem a ser ocupados por criminosos. Ele também ressaltou o trabalho desenvolvido por igrejas católicas e evangélicas dentro das comunidades.
Na avaliação do parlamentar, o erro de operações anteriores foi retirar uma facção sem criar condições para impedir a chegada de outro grupo criminoso.
Gualberto criticou ainda a ideia de que as forças de segurança devam atuar para manter um suposto equilíbrio entre diferentes organizações. Para ele, traficantes, milicianos e integrantes de qualquer facção precisam receber o mesmo tratamento do Estado.
Tolerância zero e combate à desordem
O deputado também defendeu uma política de tolerância zero contra o crime e a desordem urbana. Segundo ele, a proposta não busca punir o cidadão comum por comportamentos cotidianos, mas impedir que pequenas ilegalidades criem um ambiente favorável à atuação de organizações criminosas.
Como exemplo, citou estabelecimentos que recebem materiais furtados. Para Gualberto, não basta a Polícia Civil prender receptadores se a Prefeitura não cassar o alvará do comércio que reincide no crime.
O parlamentar sustentou que Estado e municípios precisam compartilhar informações e realizar operações integradas. Na avaliação dele, a falta de coordenação permite que estabelecimentos interditados retomem as atividades poucos dias depois.
Corrupção é o problema mais grave
Questionado sobre os principais problemas das forças de segurança, Gualberto apontou a corrupção como o mais grave. O deputado fez questão de afirmar que os agentes corruptos representam uma minoria, mas defendeu uma fiscalização rigorosa tanto nas corporações policiais quanto na política e em outras instituições públicas.
Ele também reconheceu problemas relacionados ao baixo efetivo, aos salários e à sobrecarga de trabalho. Para Gualberto, policiais civis acabam presos a tarefas burocráticas e deixam de exercer sua principal função, que é investigar.
Uma das propostas apresentadas pelo deputado é a realização de convênios com universidades para que estagiários façam o registro inicial das ocorrências, sempre sob supervisão policial. Com isso, investigadores poderiam ser deslocados para diligências, operações e coleta de provas.
Crise política na Alerj
Durante a entrevista, Gualberto também comentou as investigações envolvendo antigos integrantes da Alerj. O deputado afirmou que o envolvimento de políticos com traficantes ou milicianos é inaceitável, mas defendeu que decisões sobre prisão ou perda de mandato sejam tomadas com base em provas.
Ao falar sobre Rodrigo Bacellar, Gualberto disse que teve acesso aos elementos apresentados contra o ex-presidente da Alerj e votou para que ele permanecesse preso. Já no caso da deputada Lucinha, afirmou que votou contra a perda imediata do mandato porque os parlamentares não tiveram acesso ao conteúdo integral das investigações. Segundo ele, o processo deveria ter sido analisado posteriormente pelo Conselho de Ética.
Bolsonaro e eleições de 2026
Gualberto avaliou ainda que o bolsonarismo continua forte e terá influência decisiva nas eleições de outubro. O deputado classificou Jair Bolsonaro como “preso político” e afirmou que o ex-presidente mantém grande capacidade de mobilização popular.
Para ele, parte dos problemas de imagem do movimento foi provocada por políticos oportunistas que se aproximaram de Bolsonaro apenas por interesse eleitoral. Gualberto disse acreditar que esses nomes serão identificados pelos eleitores.
O parlamentar também projetou uma grande bancada do PL no Congresso Nacional e afirmou acreditar na vitória de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.
Ao fazer um balanço dos quase oito anos de atuação na Alerj, Gualberto disse que gostaria de ser lembrado como um político que não enganou os eleitores, manteve posições firmes e trabalhou para melhorar a qualidade de vida da população fluminense. Eleito pela primeira vez em 2018, com 23.169 votos, o deputado conquistou a reeleição em 2022 com 51.856 votos.