O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou o “modelo” Bruno Krupp e outras cinco pessoas, incluindo Luma Melo Rajão, por tentativa de homicídio qualificado contra o estudante de Direito, Pedro Rodrigues, de 25 anos. Assim como Krupp, que está preso, Luma também incentivou publicamente o linchamento coletivo do estudante e seu potencial assassinato, após uma discussão ocorrida dentro de uma boate na Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 28 de maio. Também acompanhava Luma e seu bando o jovem Jacobo Pareja, filho do narcotraficante colombiano Alexander Pareja Garcia, apontado pela Polícia Federal como um dos principais nomes do narcotráfico colombiano – considerado sucessor de Pablo Escobar – e um dos chefes do antigo Cartel do Vale do Norte, segundo informações da CNN.
Segundo testemunhas, Luma Melo Rajão, também estudante de Direito, teria gritado várias vezes: “Pega ele! Mata o gorducho”. A informações constam na denúncia do MP, segundo o jornal O Globo. Luma estava com o grupo acompanhando o líder do bando e seu namorado, Pedro Vasconcellos do Amaral Sodré de Mello, também conhecido como Roberdão, que pisoteou a cabeça de Pedro Rodrigues várias vezes.
Segundo o Povo na Rua, Luma que se autointitula nas redes sociais “Maria Manicômio”, teria sido alertada por familiares sobre o perfil de Vasconcellos. A jovem, segundo investigações teria tido um papel central na dinâmica do desentendimento iniciado dentro da boate, próximo onde se passou o espancamento. Ela teria hostilizado a vítima, que fez um comentário irônico diante da afirmação de Roberdão a Pedro Rodrigues: “Você não tem dinheiro nem para passar aqui do meu lado. Paguei R$ 17 mil nisso aqui”. O estudante de Direito agredido, por sua vez, teria ironizado a frase perguntando se o valor seria de Roberdão ou da mãe dele. A partir daí, Pedro passou a ser seguido pelo grupo até o estacionamento do Parque dos Patins, onde se deu o linchamento.
Depois de violentamente agredir a vítima, Vasconcellos ainda roubou o seu boné, o que lhe renderá uma acusação de assalto, de acordo com O Globo. Pedro Vasconcellos tem anotações criminais por roubo, tráfico de drogas, violência doméstica e organização criminosa.
Bruno Krupp
Bruno Krupp já é velho conhecido da Justiça. Em 2022, o “modelo” foi preso preventivamente depois de atropelar e matar o adolescente João Gabriel Cardim, de 16 anos, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Segundo a Polícia, Krupp dirigia em alta velocidade quando matou o adolescente. O modelo foi acusado de homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar.
Em março de 2023, Krupp deixou a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó, após oito meses depois de detenção. Na ocasião, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu o habeas ao modelo a pedido da sua defesa. Por esse crime, Bruno Krupp irá a júri popular. Logo antes de ser novamente preso após o espancamento de Pedro, o “modelo” era visto quase todos os dias na badalada Academia Bodytech do Shopping Leblon, “onde desfilava com pose de galã”, segundo uma aluna.
Na noite do linchamento de Pedro Rodrigues, Krupp, que não agrediu a vítima, também incentivou – ao lado de Maria Manicômio – verbalmente a violência com gritos: “Mata ele! É os capetas! Tem que matar! Mata esse filho da puta”, conforme relata a denúncia do Ministério Público, aceita pela Justiça fluminense, e que tornou réu as seis pessoas do bando, por tentativa de homicídio por motivo torpe e meio cruel. Em caso de condenação, a pena pode chegar a 20 anos de prisão. Entre os indivíduos do grupo, de acordo com o UOL, somente Luma Melo Rajão, que está presa, tem advogado.
De acordo com o Globo, a defesa de Bruno Krupp afirmou que “ele não integrava o grupo de agressores, que a verdadeira dinâmica do ocorrido será devidamente demonstrada nos autos do processo e que será impetrado habeas corpus em favor de seu cliente”, repercutiu o vespertino carioca, que não localizou a defesa dos outros acusados.
Agredido, mesmo caído no chão
No Parque dos Patins, Pedro Rodrigues foi brutalmente espancado pelo bando. As agressões continuaram mesmo quando ele estava caído no chão e desacordado. O estudante levou 22 pisões no rosto, e diversos chutes na cabeça. Enquanto isso, parte do grupo, incluindo Krupp e Luma, gritava para que os agressores matassem Pedro Rodrigues, que ficou um dia internado, além de outros quatro dias sem conseguir se mexer por conta das dores extremas. As agressões foram registradas por câmeras de segurança da casa noturna.
O Ministério Público também denunciou Arthur Velloso Araujo, Felipe de Souza Monteiro e o colombiano Jacobo Pareja Rodriguez. Segundo as investigações, os agressores contam com diversas passagens por estelionato, extorsão, tráfico de drogas, ameaça, dano, lesão corporal, roubo, ameaça, receptação e tentativa de homicídio.
A delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP (Gávea), segundo O Globo, enfatizou a discrepância da origem social dos agressores e as suas escolhas diante da sociedade:
“São jovens que tiveram oportunidades na vida que outros gostariam de ter tido. São de classe social alta, famílias abastadas e que escolheram a vida do crime. E com essa escolha, não tem saída: é a prisão”, disse a autoridade policial, segundo o jornal. A trupe da gordofóbica é acusada de vários outros crimes.
Sobre o namoro de Luma Melo Rajão, que é moradora de um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, com Pedro Vasconcellos, a delegada afirmou: “Ela escolheu ser namorada de um bandido, mesmo diante de tantos avisos”, reportou o O Povo na Rua.