
Os dois episódios de antissemitismo que ganharam repercussão no fim de semana no Rio de Janeiro passaram a ser tratados pelo Ministério Público do Estado (MPRJ) como caso criminal. Segundo informação divulgada nesta segunda-feira, o órgão vai acompanhar as investigações em curso junto à Polícia Civil sobre as ocorrências na Lapa e no Leblon.
Um dos casos envolve o Bar Partisan, na Lapa, depois da divulgação de uma placa, em inglês, com a frase “Cidadãos dos EUA e de Israel não são bem-vindos”. A situação provocou reação imediata, mobilizou parlamentares e levou o Procon Carioca a multar o estabelecimento em R$ 9.520 por prática considerada discriminatória.
A Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo do Rio acionou o Ministério Público fluminense para investigar o episódio. A equipe jurídica do vereador Pedro Duarte também registrou boletim de ocorrência na delegacia situada na região central carioca, e a intenção é anexar o documento à notícia-crime encaminhada ao órgão.
Em nota, o Bar Partisan afirmou que não havia, no espaço físico, qualquer proibição de entrada de pessoas por nacionalidade. O estabelecimento disse ainda que nenhuma religião, povo ou grupo étnico foi alvo de restrição ou exclusão.
O outro caso ocorreu no Leblon e teve como ponto de partida o relato da chef Monique Benoliel. Ela afirmou ter ouvido do dono da delicatessen Delly Gil que o comerciante não venderia mais produtos judaicos por estar “cansado dos judeus”. A denúncia repercutiu nas redes e mobilizou entidades da comunidade judaica.
A família responsável pela Delly Gil negou discriminação. Nas redes sociais, a loja disse que houve um mal-entendido e declarou não compactuar com preconceito. Em entrevista ao Jornal O Globo, a filha do proprietário, Lívia Pirozzi, afirmou que o pai não se recusou a atender clientes judeus e que a referência feita por ele seria apenas à decisão de deixar de vender certos produtos por dificuldade de armazenamento e comercialização.
O presidente da Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo do Rio, vereador Flávio Valle, informou que apresentaria queixa contra os dois estabelecimentos na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Para ele, os dois episódios ultrapassam qualquer alegação de mal-entendido e precisam de resposta formal das autoridades.
Com informações da CBN.