
Nos últimos meses, a dupla Babi e Bonna lançou dois singles: Semente e Nativos. As canções remetem as que são tocadas e cantadas por artistas do interior de Minas Gerais, São Paulo, região do Pantanal. No entanto, são artistas do Rio de Janeiro que estão vibrando violas nas terras normalmente lembradas como do samba e do funk.
“Existe um certo preconceito com a música caipira, que já foi muito maior na época que comecei. Acho que estamos encontrando o nosso público, as pessoas que gostam e respeitam a música de raiz. Na época que meu pai chegou no Rio de Janeiro (década de 1960), ele relatava que era bem pior. Acho que a música nordestina tem uma recepção maior, o imigrante nordestino é mais forte com as suas raízes. Já o imigrante do interior do Sudeste tem uma certa dificuldade de assumir as sua caipirice“, destaca Henrique Bonna.
Henrique Bonna aprendeu a tocar viola com seu pai, Olívio Bonna. Porém, ele achou que para viver de música no Rio tinha que tocar outros gêneros musicais. Foi guitarrista em trabalhos de blues, reggae e rock. E assim começou profissionalmente na música com 17 anos de idade.
Começou a dar aulas de música, rodou, rodou e voltou à raiz: a viola caipira. Formou com seus pais o grupo Família Bonna e com seus alunos a Orquestra de Violas Caipirando, que fez 15 anos agora em 2025.
A outra parte da dupla, Babi Austiriano iniciou na música com violão aos 15 anos. Com 20, conheceu a viola caipira. “Em 2014, fui morar em Goiás, na Chapada dos Veadeiros e conheci a Paula de Paula, que é uma violeira, incrível compositora, cantora, sanfoneira e muito mais. Ela quem me apresentou a viola e eu me encantei. Chegamos a nos apresentar algumas vezes pela cidade, mas depois de alguns anos de volta ao Rio de Janeiro, eu retornei com a viola em um projeto de forró que se chamava Forró Folk. Um tempo depois, me apresentei em um evento de violas e conheci o pessoal do Festival Rio de Violas, o que me fez voltar mais para esse universo. Também dei início em janeiro de 2025 a um projeto de músicas do sertão de vários estilos junto com a literatura de Guimaraes Rosa, que se chama Noites do Sertão. Dali em diante, mergulhei nesse universo trazendo esse repertório mais ligado ao folk, cantigas, música regional e do sertão“, pontua a artista.
A dupla, que começou a gravar em junho deste ano, conta que costuma se apresentar em espaços nos bairros de Vargem Grande e Taquara. Além de Tijuca e Santa Teresa. Inclusive, foi em Santa que eles se conheceram e começaram a tocar juntos.
“Foi em um evento de violas no Bar da Fatinha, em Santa Teresa. Tivemos o primeiro contato um com o trabalho do outro e desde então já nos identificamos bastante por admirarmos o mesmo estilo de música. As nossas referências são parecidas e gostamos de tudo o que envolve esse universo da viola caipira e da música folk, regional. A partir daí, tocamos juntos no Festival Rio de Violas, que acontece no mês de maio, fizemos um show juntos com outros violeiros e, um dia nos ensaios, o Henrique me disse que gostaria de produzir algum projeto nosso, que ele tinha algumas composições, e perguntou se eu tinha também. Começamos a trocar essas músicas e eu logo de cara amei as canções dele e do Wagner Fernandes“, explica Babi.
Nesse processo foram gravadas Semente e Nativos. E já tem novidade para sair do forno: “Dia 21/11, vamos lançar nosso Ep, que se chama Viola Folk. São seis músicas, entre elas, composições minhas, do Bonna e Wagner Fernandes. Além de uma música muito especial da Paula de Paula. Quem gosta de música folk e regional, que trazem os temas da natureza, os ciclos da vida, e contam histórias com a musicalidade da viola caipira vai curtir com certeza“, observa Babi Austiriano.
O pré-save deste novo trabalho já está disponível para ser feito. Quem tiver interessado, basta clicar neste aqui.
E quem quiser ouvir as violas da dupla de perto tem que ficar atento. Não são muitos locais com espaço para música caipira no Rio de Janeiro, então é preciso acompanhar a agenda de Babi e Bonna nas redes sociais.


“Tem poucos espaços na minha opinião, acredito que para a música ao vivo em geral. A música de trabalhos alternativos, a música autoral é muito difícil lugares para mostrar. Se o artista não produzir o próprio espaço, criar um movimento, ter amigos que abram a sua casa para sarais, quase não existiriam locais para se apresentar. Nós produzimos o Rio de Violas, festival de viola caipira que acontece no Centro da Música Carioca, na Tijuca, que já está na oitava edição. Em Santa Teresa tem alguns espaços que recebem as nossas apresentações com alguma constância. Eu produzo muitos shows na Zona Oeste e Sudoeste do Rio. Sou morador da Taquara e tenho muitos amigos que acompanham o nosso trabalho e sempre estão viabilizando alguma coisa relacionada com a música que fazemos. Vargem Grande também é uma região que sempre acontece e eventos que produzimos para tocarmos“, afirma Henrique Bonna.
Mais um motivo para acompanhar de perto o trabalho dessa dupla que parece ter vindo de longe, mas está aqui fazendo música caipira próximos dos nossos ouvidos no Rio de Janeiro.
