
O Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO) registrou a presença de 3.026 espécies de plantas, sendo 38% delas conhecidas para o território fluminense. As espécies estão concentradas em uma área de apenas 0,5% do Rio de Janeiro. O dado ambiental coloca o Estado na primeira posição entre as áreas protegidas com a maior riqueza de flora conhecida no Brasil.
A informação faz parte do levantamento realizado por pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), entre 2007 e 2011, com o objetivo de atualizar a primeira lista de espécies, elaborada por Carlos Toledo Rizzini, em 1950.
Segundo os pesquisadores, houve um aumento de flora nativa da ordem de 26,7% em relação às pequisas anteriores. A lista atualizada inclui 2.342 angiospermas (plantas com flores), uma gimnosperma, 433 samambaias e licófitas e 250 briófitas. Do total de espécies, 28 são endêmicas do PARNASO e 190 são endêmicas do Estado do Rio.
Os estudiosos identificaram a ocorrência de 102 espécies classificadas em alguma categoria de ameaça de extinção, a partir dos parâmetros da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), dado que representa um alerta, pois cerca de 38% das espécies contam com somente um registro de ocorrência. Isso tais espécies como localmente raras e necessitadas de monitoramento e pesquisas contínuas.
De acordo com os estudiosos, a diversidade vegetal do PARNASO está associada ao grande gradiente altitudinal da Serra dos Órgãos, que varia de 80 a 2.275 metros acima do nível do mar; e à proximidade com o oceano Atlântico. As variações favorecem a ocorrência de diferentes formações vegetais e criação ambientes e nichos ecológicos altamente diversificados em uma área relativamente pequena.
Os pesquisadores Marcus Nadruz Coelho, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro; e Cecília Cronemberger, do ICMBio, reforçam que, com a atualização do catálogo florístico, é possível elaborar estratégias de conservação, manejo, reflorestamento, além de criação e manutenção de áreas protegidas. Novos estudos também podem resultar na redescoberta de espécies consideradas extintas e registro de novas espécies para a ciência.
De acordo com Ernesto Castro, chefe do PARNASO, as informações coletadas no lavamento impõem uma maior responsabilidade aos dirigentes do Parque, pois “qualquer ameaça à vegetação do PARNASO é uma ameaça ao lugar mais rico do país que, por sua vez, é o país mais biodiverso do mundo”, afirma.
Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Terceiro parque mais antigo do Brasil, o PARNASO foi criado em 1939 e representa um marco na história das Unidades de Conservação nacionais. Localizado na Região Serrana, o parque conserva 19.855 hectares da Serra do Mar, onde são registradas uma elevada biodiversidade e paisagens de grande valor natural para Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim.
A unidade de conservação conta com a maior rede de trilhas do País, com mais de 200 quilômetros de percursos e é um dos principais destinos para esportes de montanha, como escalada, caminhada e rapel, já que possui belas cachoeiras.