O Passeio Público, primeiro parque ajardinado do Brasil, está em péssimas condições de manutenção. O local, que fica no Centro do Rio, nas proximidades da Cinelândia, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Com forte presença de moradores de rua e usuários de drogas – consumidas livremente a qualquer hora do dia -, o espaço apresenta claros sinais de falta de manutenção e apreço patrimonial.
O mato está alto em alguns pontos do parque. A sujeira também está presente por todos os lados, especialmente no lago, que está seco. Roupas, papeis, guimbas de cigarro, restos de vegetação e uma caçamba de lixo quebrada ocupam o leito do espelho d’água, que é terra seca.
A Fonte dos Amores, além de não estar funcionando, teve um dos seus pontos incendiado. Como se não bastasse o descaso, o equipamento também é usado como banheiro público, dado o forte cheiro de dejetos humanos (urina e fezes). A vegetação da fonte também está malcuidada, amplificando o aspecto de abandono.


O gradil ao lado do chafariz está completamente vandalizado. A estrutura está com diversas falhas, demonstrando a depredação para a venda de material em ferros-velhos ilegais espalhados pela cidade.
O busto do poeta baiano Castro Alves também desapareceu do parque e não é o único. No espaço há outros pedestais sem os seus respectivos bustos. Fontes ouvidas pelo DIÁRIO DO RIO afirmam que há peças desaparecidas há anos. Ninguém sabe se foram furtadas ou recolhidas pela Prefeitura do Rio.
Por todo o local o que se vê é descaso com o patrimônio público, que se espalha pelo entorno: sujo e malconservado. Pessoas que visitam o parque ou passam pelo local confessam que sentem medo, especialmente ao cair da tarde, dada a presença de moradores de rua e o pouco policiamento.


Um pouco de história
Primeiro parque público das Américas, o espaço foi inaugurado no século XVIII, inspirado no Passeio Público de Lisboa. A concepção do parque carioca ficou a cargo do escultor e arquiteto Valentim da Fonseca e Silva, o Mestre Valentim, que projetou um parque em estilo francês, contando com alamedas retas, cruzadas ortogonalmente, e outras formando diagonais. Entre os elementos decorativos, o artista usou chafarizes, estátuas e pavilhões.
No portão de acesso ao parque foi usado ferro forjado em estilo rococó, destacado por um brasão com as armas reais e as efígies de Dona Maria I, e de seu marido Pedro III, ambos de Portugal,
Da decoração original restou o conjunto do Chafariz do Menino, em ferro (1783), composto por dois obeliscos de granito com medalhões em pedra lioz, escadas e amuradas; e a Fonte dos Amores, com estátuas de jacarés em bronze.
No projeto original de Valentim, o parque contava com dois pavilhões com várias pinturas de paisagens do Rio de Janeiro, de Leandro Joaquim. Apenas seis sobreviveram e foram enviadas ao Museu Nacional de Belas Artes e ao Museu Histórico Nacional.
Ao longo do tempo, o Passeio Público carioca passou por várias intervenções, perdendo as suas características originais. Na atualidade, falta de segurança, lixo e abandono são as suas marcas registradas.