
Destaque nas duas últimas legislaturas na Câmara dos Vereadores, o pré-candidato a deputado estadual pelo PSD, o vereador Pedro Duarte, faz um reposicionamento político explícito ao deixar o Partido Novo e reafirmar sua identidade como liberal de direita, defensor do diálogo e avesso aos extremos. Em entrevista ao DIÁRIO DO RIO, ele dispara críticas duras ao governador Claudio Castro, a quem atribui nota 1 e define a gestão como uma “mistura de bandidagem com incompetência”. Ao mesmo tempo, dá nota 8 ao prefeito Eduardo Paes, seu mais novo aliado. A exemplo de Castro, o presidente Lula também foi reprovado. Recebeu nota 2. Duarte também critica a política personalista do clã Bolsonaro e elogia a megaoperação no Complexo da Penha, que resultou em 122 mortes. Caso chegue à Alerj, promete atuação parlamentar independente, qualquer que seja o governador.
Matéria: DIÁRIO DO RIO: Quais os motivos que te levaram a sair do Partido Novo, uma legenda nascida há 10 anos com a mensagem de ser diferente das demais?
Pedro Duarte: Desses 10 anos, em sete eu fui afiliado ao Novo. Vivi sua história. Muitas pessoas não sabem. Na verdade, minha primeira filiação foi no PSDB, onde concorri a vereador em 2016 e a deputado estadual em 2018. Eu me vejo como uma pessoa de direita e liberal, mas muito aberta ao diálogo. Acredito muito que precisamos de menos brigas, menos polarização e mais entregas para a população.
Então, isso me afasta de todos os extremos. Por óbvio, me afasta da esquerda como um todo, da extrema esquerda e também da extrema direita, tanto que eu sempre fui crítico ou, no mínimo, desconfiado com o Bolsonaro. O Novo, nos últimos anos e, sobretudo de um ano pra cá, tem aumentado muito a sua aproximação com o clã Bolsonaro, que têm uma visão de Brasil que eu não concordo. Não acredito em uma política personalista, que temos que apoiar, único e exclusivamente, um grupo político que carrega o sobrenome do pai.
Não é o caminho para o Brasil enfrentar as duras reformas que precisa fazer: abrir sua economia para o mundo, voltar a crescer, porque o país está estagnado já há muito tempo e muito por culpa do PT, mas também foram questões que o Bolsonaro não conseguiu resolver. Por isso, acredito que o Brasil precisa de uma outra alternativa. O Novo aderiu ao bolsonarismo e ao patrulhamento interno de posicionamento.
Acabou que sai em comum acordo. No interior do partido já existia uma carta para minha expulsão e muita gente torcendo pra isso. É muito desgaste e aí fui procurar outro caminho para a minha vida.
DIÁRIO DO RIO: Com apenas 34 anos e começando uma provável promissora carreira política, o senhor não teme que esta mudança partidária o jogue na vala comum dos políticos tradicionais, que trocam de legenda de acordo com suas conveniências?
Pedro Duarte: De forma alguma. Apesar de jovem, já faço política há bastante tempo. Comecei no Movimento Estudantil, no Diretório Acadêmico da PUC, quando tinha 18 anos. Claro que conciliando com os meus estudos. Sou advogado e tenho pós-graduação em gestão pública e já fiz cursos no exterior. Eu busco partidos que tenham projeto e nem sempre, com o tempo, eles continuam alinhados a aquilo que pregava no início.
Na minha primeira filiação, no PSDB, foi naquele momento em que o Aécio Neves era o grande nome contra Dilma Rousseff como paixão da ética, no combate à corrupção e que iria moralizar o Brasil. Acabou que quem se desvirtuou foi o Aécio e não eu. O PSDB, infelizmente, acabou perdendo a sua essência de um partido de centro-direita, de quadros qualificados para um partido envolvido na lama, como os outros. Tanto no PSDB, como no Novo, não fui eu que troquei de ideias. Continuo de centro-direita, direita, liberal, a favor do diálogo e focado na entrega de resultados e na melhora da máquina pública. O Novo aceitou até o retorno de políticos anteriormente expulsos, como o Ricardo Salles (ministro do Meio Ambiente na gestão Bolsonaro). Então, eu acredito que não irei pra vala comum dos políticos oportunistas porque continuo fiel aos meus princípios e ideais. Ando de metrô, de bicicleta, respondo todos os meus eleitores que me enviam mensagens. Continuo na busca de uma prática de direita liberal que procure entregar o que o Brasil precisa.
DIÁRIO DO RIO: Entre 30 partidos registrados atualmente no TSE, o que levou o senhor a escolher o PSD, partido do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e do prefeito Eduardo Paes?
Pedro Duarte: São 2 motivos principais, um regional e um nacional. Vou começar pelo Nacional. O Kassab tem liderado um movimento de atrair grandes quadros da centro direita brasileira, como o governador do Paraná, Ratinho Júnior, com altíssimos índices de aprovação, superiores a 80%, e que se filiou ao PSD. Mais recentemente, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também um político de direita muito bem avaliado em seu segundo mandato, veio para o partido. Eduardo Leite, mais ao centro, governador do Rio Grande do Sul, fez o mesmo caminho. O vice do Tarcísio de Freitas, do PL (governador de São Paulo), Felício Ramuth. O vice-governador do Romeu Zema, do Novo, de Minas Gerais, Mateus Simões, se filiou ao PSD. O Paulo Hartung, do Espírito Santo, e muitos outros quadros.
Então, o PSD vem se consolidando como esse partido da centro-direita brasileira, atraindo diferentes quadros e é um movimento que me agrada muito.
A nível regional, eu discordo profundamente do apoio do Eduardo Paes ao Lula, mas entendo que ele é o melhor homem que nós temos hoje na disputa para governador. O grupo que está hoje no estado é uma mistura enorme de bandidagem com incompetência. Tem o caso agora do Banco Master de R$ 1 bilhão de nossos aposentados investidos nesta fraude e não por erro ou incompetência, mas por esquema. Nós precisamos, urgentemente, trocar a gestão do governo estadual. Não podemos correr o risco de um novo Witzel, de um novo Crivella, de um novo Bacellar assumirem o executivo e legislativo estaduais. Por isso que eu entendo que o candidato mais viável é o Eduardo Paes, mesmo com as críticas que eu tenho. Tenho concordâncias também. Já votei em vários de seus projetos na Câmara. Ele é o melhor nome para mudar esta realidade.
DIÁRIO DO RIO: Por falar em Paes, o senhor é um dos principais críticos na Câmara dos Vereadores às duas últimas gestões dele a frente da prefeitura do Rio. Qual a avaliação que o senhor faz do governo Eduardo Paes?
Pedro Duarte: Com os seus trabalhos e os afazeres de casa, as pessoas acompanham a política do jeito que dá. Então, prevalece a ideia de que você só tem 2 opções na vida. Ou você é base governista e vota a favor de tudo, ou você é oposição e vota contra tudo. Para mim, cabe ao vereador fiscalizar o prefeito e cabe ao deputado estadual fiscalizar o governador. Ocorre que, quando a gente fiscaliza, acham que somos oposição.
Se pegar os projetos do Executivo que foram a votação na Câmara, eu votei favoravelmente na maioria deles: as duas reformas da Previdência Municipal, ao Projeto Reviver Centro, à mudança da escala e do armamento da Guarda Municipal para que ela trabalhasse mais. Sou um parlamentar independente e seguirei independente. Votarei a favor no que estiver certo e contra no que estiver errado. O problema é que as pessoas acham que você tem quer ser uma situação cega ou uma oposição radical.
Nos últimos 5 anos, a minha relação com Eduardo Paes foi assim. Quando discordei, critiquei. Quando concordei, elogiei. E continuará sendo assim.
DIÁRIO DO RIO: De zero a 10, qual a nota que o senhor acha que a gestão Eduardo Paes merece?
Pedro Duarte: Vou dar a nota para a gestão desde 2021. Só esta última o período é muito pequeninho e eu sou vereador desde 2021. Dou nota 8.
DIÁRIO DO RIO: E para o senhor que pretende ser deputado estadual, qual a avaliação e nota para a gestão do governador Claudio Castro?
Pedro Duarte: Dou nota 1 para o governo Claudio Castro. Só não dou zero por causa da megaoperação na Penha, que achei necessária e correta e que precisaríamos dar continuidade a ela pra que não pareça que foi algo com fins meramente eleitorais e pra dar visibilidade ao governador. Hoje, a população carioca e fluminense precisa muito de segurança pública. O nosso maior desafio é a criminalidade e nós precisamos de operações com visão de longo prazo no combate ao crime organizado.
Então, em função desta operação, a gestão Castro não levou zero. Ficou com nota 1. Esta gestão é um desastre na Educação, é um desastre na Saúde, é um desastre no Transporte Público, é um desastre na pauta da corrupção e transparência. Eu tenho dificuldade genuína de encontrar uma secretaria, uma pasta em que o governo estadual tem entregue um trabalho minimamente razoável. Por isso nós precisamos, urgentemente, fazer esta troca de comando no governo estadual.
DIÁRIO DO RIO: Qual a sua avaliação e nota para a gestão do presidente Lula?
Pedro Duarte: Para o Lula dou nota 2.
DIÁRIO DO RIO: Em sua primeira entrevista como membro do PSD, o senhor já se apressou em revelar o seu candidato à Presidência da República, Ratinho Júnior, governador do Paraná. Por que a pressa nesse posicionamento e o que o Ratinho tem que Eduardo Leite e Ronaldo Caiado não têm?
Pedro Duarte: Vou deixar claro que gosto de todos esses nomes que o PSD tem hoje como opções. Sou simpático também à candidatura do Tarcísio de Freitas, apesar de não ser do PSD. Eu acredito muito nessa aliança e nesse trabalho conjunto dos governadores. Incluo aí o governado de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Eu acredito que o melhor caminho do Brasil é o caminho desses governadores, seja ele qual for. Eu quis logo me posicionar com relação à disputa presidencial, até porque é um ponto de divergência entre eu e o nosso pré-candidato a governador, Eduardo Paes, que tem falado sobre o presidente Lula. Eu tenho críticas fortíssimas ao Lula e ao PT. Então, deixei claro que o meu voto e a minha campanha presidencial será para o candidato do PSD, seja ele qual for.
DIÁRIO DO RIO: Por que deixar seu segundo mandato de vereador pela metade para ocupar uma cadeira de deputado estadual? Algum projeto, ou missão, ou estratégia para voos mais altos no futuro?
Pedro Duarte: Nesses seis anos de mandato, percebi que o maior desafio para a cidade e o Estado do Rio de Janeiro é o nosso governo estadual. Este problema vem desde a fusão do estado da Guanabara e do Rio de Janeiro imposta pela Ditadura Militar. Há seis anos, o estado acumula déficit, ou seja, gasta mais do que arrecada. Já quebrou mais de uma vez e deixou de pagar o salário dos nossos servidores e nem tinha dinheiro para abastecer seus carros. Nós já vivemos no regime de recuperação fiscal há muito tempo. Nós não pagamos nossas dívidas com a União. Nós temos dificuldades com os fornecedores. É um estado muito mal gerido há muito tempo. Basta ver quantos governadores, deputados e conselheiros do Tribunal de Contas do Estado já foram presos. O maior buraco disso tudo está no Palácio Guanabara e na Assembleia Legislativa, que não fazem reforma nenhuma, não ajustam as contas e ainda tem gente envolvida com o crime organizado. Por isso que eu sinto que a minha maior contribuição hoje seria ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
DIÁRIO DO RIO: Quais serão os principias temas de sua campanha eleitoral e na Alerj, caso seja eleito?
Pedro Duarte: Segurança Pública, Transporte Público e o ajuste das contas.
DIÁRIO DO RIO: Deixou algo incompleto na Câmara dos Vereadores? Algo que o senhor gostaria de ter feito e não fez?
Pedro Duarte: Têm projetos que nós apresentamos e não tivemos tempo ou oportunidade de votar porque eles não dependem só da gente. São 51 vereadores e um timing político que nem sempre funciona da forma como a gente gostaria. Ressalto que eu ainda tenho mandato até 31 de janeiro de 2027. A posse na Alerj é só em 1º de fevereiro. Temos muito trabalho pela frente.
DIÁRIO DO RIO: Para um eleitor que ainda não te conhece, como você se definiria ideologicamente?
Pedro Duarte: Eu sou um jovem liberal de direita. Minha família é de comerciantes. Meu pai e tios têm uma loja de flores no nosso Mercado Municipal das Flores, há mais de 40 anos. Minha mãe tem uma pequena ótica. Não estudaram até o ensino superior. Vieram de Caxias, onde nasci, e fui criado na Ilha do Governador. Felizmente, eu e meus irmãos tivemos acesso a boa educação, a uma boa alimentação e ao lazer graças aos meus pais e porque o comércio deu certo.
Em cima desta história familiar e de estudos, acredito muito na liberdade econômica, na propriedade privada e na segurança pública. Em resumo, sou uma pessoa de direita e liberal. De direita porque acredito numa sociedade que valoriza as pessoas de bem; no combate à criminalidade, combate em cima de quem faz errado, combate à corrupção. Liberal porque acredito que a gente tem que ter menos burocracia, menos impostos e mais incentivo a quem gera emprego e renda.