quarta-feira, 19 de agosto de 2026 - 4:12

  • Home
  • Rio de Janeiro
  • Petrópolis aprova PL que proíbe pessoas trans de usarem banheiros segundo a sua identidade de gênero

Petrópolis aprova PL que proíbe pessoas trans de usarem banheiros segundo a sua identidade de gênero

Creative Commons

O Projeto de Lei 3363/2024, que restringe o uso de banheiros femininos e masculinos por transexuais na cidade de Petrópolis foi aprovado com oito votos favoráveis, dois contrários e cinco ausências, pela Câmara Municipal da Região Serrana, nesta quarta-feira (11). O prefeito Hingo Hammes (PP) tem até 15 dias para sanciona ou vetar a proposta.

A votação aconteceu sob intenso debate. De autoria de Octavio Sampaio (PL), o PL foi aprovado em primeira discussão no último dia 4, com 10 votos a favor entre os 15 vereadores da Casa. Na primeira votação, os debates também foram acalorados.

Pela proposta, pessoas trans estão proibidas de usar banheiros, em estabelecimentos públicos petropolitanos, segundo o gênero com o qual se identificam. A regra vale para banheiros de repartições públicas, escolas, unidades comerciais, de serviços e industriais. Pelos mesmos critérios, o uso de banheiros em eventos, shows e similares com licença emitida pela prefeitura, também está proibido.

Diante das críticas, o autor do projeto argumentou: “O projeto foi aprovado por ampla maioria com o objetivo de garantir maior segurança e privacidade para mulheres e crianças em banheiros públicos compartilhados, atendendo a uma demanda legítima apresentada por mulheres, especialmente por mães preocupadas com a exposição corporal nesses espaços. A proposta estabelece critérios objetivos e verificáveis para o uso desses ambientes, com foco na prevenção de situações de abuso ou constrangimento”.

Octavio Sampaio argumentou ainda que a matéria “não possui caráter discriminatório, mas sim protetivo”, com a finalidade “assegurar que a dignidade e a proteção dos mais vulneráveis estejam sempre em primeiro lugar”, disse ele.

Para Benny Briolly (Psol), vereadora do Rio de Janeiro, a decisão é inconstitucional e transfóbica. “Essa decisão não é apenas ilegal. Ela é desumana, transfóbica e inconstitucional. Ninguém tem o direito de determinar quem é ou não é mulher com base em ódio, ignorância ou preconceito. Essa medida fere a dignidade da pessoa humana, o direito à identidade de gênero e coloca mulheres trans em risco real de violência, humilhação e exclusão”, afirmou a vereadora, que foi a primeira travesti eleita e reeleita no território fluminense.

“Além de ser inconstitucional, a Câmara demonstra um lado de retrocesso no Brasil, um país que ainda dissemina o preconceito como arma de resistência política. Esse projeto tem a intenção de negar a nossa existência. A gente já entrou com uma ação no Ministério Público Federal porque temos uma decisão no Supremo Tribunal Federal que pode sim fazer essa retificação”, complementou Benny Briolly.

Segundo o jornal O DIA, o Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros do Brasil (Fonatrans) também contestou a aprovação da Projeto de Lei. Por meio de nota, a entidade afirmou: “Além de ser uma clara violação dos direitos humanos, a medida é discriminatória, transfóbica e ineficaz. A lei ainda prevê multa para quem descumpri-la, institucionalizando a transfobia no espaço público. O Fonatrans repudia essa medida cruel e já articula ações jurídicas e políticas contra esse retrocesso”.

Advertisement

Receba notícias no WhatsApp e e-mail

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Brasil tem luto oficial de três dias após morte de atrizes icônicas

O Brasil cumpre luto oficial de três dias pelas mortes das atrizes históricas e ícones…

Velório de Glória Menezes será restrito a familiares e amigos nesta quarta-feira

Foto: Reprodução O velório da atriz Glória Menezes será realizado nesta…

Eleições de 2026 registram recorde de candidaturas indígenas

Um levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) indica que as Eleições 2026…

Ir para o conteúdo