
O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso nesta terça-feira (03/02) em uma ação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, em Itatiaia, no Sul Fluminense. A informação divulgada por veículos que acompanharam o caso aponta que ele desembarcou pela manhã no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, alugou um carro e seguia pela Via Dutra em direção ao Rio quando foi interceptado.
Deivis tinha sido alvo, em 23 de janeiro, da Operação Barco de Papel, deflagrada pela PF para investigar aplicações do fundo previdenciário fluminense em Letras Financeiras do Banco Master. Na ocasião, segundo a PF, ele estava fora do país. Depois da operação, houve renúncia ao cargo e a exoneração foi publicada pelo governo do estado.
A investigação, aberta em novembro de 2025, mira nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões do Rioprevidência em títulos emitidos pelo banco. A PF apura suspeitas como gestão fraudulenta, desvio de recursos e fraude ligada à fiscalização e ao investidor, entre outros crimes.
Também são investigados Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de Investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos. Na primeira fase, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no Rio, com diligências na sede da autarquia, no Centro, e em endereços de bairros como Botafogo, Gávea e Urca. A lista de apreensões divulgada na época incluiu veículos, eletrônicos, documentos e dinheiro em espécie.
O caso envolve ainda um debate de números. O governo estadual sustenta que aplicou R$ 960 milhões em letras financeiras. Já o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro soma outros investimentos ligados a fundos administrados pelo banco e por corretora do grupo e fala em R$ 2,6 bilhões, com alerta de concentração e menção de que parte relevante não teria cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Em nota anterior, o Rioprevidência afirmou que os investimentos seguiram a legislação e disse estar resguardado por decisão judicial de dezembro de 2025 que determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, com juros e correção, como forma de proteção do patrimônio previdenciário. A autarquia também declarou que os serviços seguem normalmente e que o calendário de pagamentos não foi alterado.