
A Polícia Federal indiciou o deputado estadual afastado Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, por suposto vazamento de informações à facção criminosa Comando Vermelho. Outras três pessoas também foram indiciadas.
Segundo a investigação, TH Jóias teria utilizado o mandato na Alerj para favorecer o crime organizado. Ele é acusado de intermediar a compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, além de indicar a esposa de Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, para cargo parlamentar. Índio do Lixão também foi preso.
A PF aponta que o vazamento teria ocorrido no contexto da Operação Zargunq, que apura a ligação de TH Jóias com o Comando Vermelho. De acordo com os investigadores, a divulgação antecipada de informações teria causado obstrução na investigação.
Em dezembro, Rodrigo Bacellar foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). À época, ele era presidente da Alerj e passou a ser investigado por suspeita de envolvimento no vazamento de dados sigilosos relacionados à prisão de TH Jóias, ocorrida em setembro.
A PF afirma que o envolvimento de Bacellar foi identificado após análise de material apreendido na operação. Trocas de mensagens entre ele e TH Jóias são citadas como indícios do possível vazamento.
Na decisão que autorizou medidas contra o parlamentar, Alexandre de Moraes escreveu que Bacellar era “primeiro contato da lista de comunicação urgente enviada pelo próprio ‘TH Jóias’, evidenciando a importância e a premente necessidade do investigado em se comunicar com o parlamentar”, a quem o ex-deputado chamava de “01”.
Segundo o documento do STF, em uma mensagem na qual TH comunica a troca de número de telefone, Bacellar responde com uma figura que indicaria que “já tinha conhecimento de que haveria a troca”.
Bacellar foi preso na sede da PF após ser chamado para reunião com o superintendente. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em quatro endereços ligados ao deputado, em Botafogo, Campos dos Goytacazes e Teresópolis, além do gabinete na Alerj.
O advogado Daniel Bialski, que defende Bacellar, afirmou em nota que “inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas”. A defesa classificou o indiciamento como “arbitrário e abusivo”.
Também foram indiciados Flávia Júdice Neto, ex-assessora da Alerj; Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado, apontados como ligados a TH Jóias.