
Um levantamento do gabinete do vereador Pedro Duarte identificou distorções relevantes na distribuição do Fundo Estadual de Saúde entre 2020 e outubro de 2025. A análise, que acompanha os repasses do governo do estado ao município do Rio desde o ano passado, mostra que a capital fluminense recebeu, por habitante, até cinco vezes menos recursos do que cidades administradas por aliados do governador Claudio Castro.
Segundo o relatório, os repasses do Fundo de Transferências aos Fundos Municipais de Saúde teriam seguido uma lógica político-partidária, privilegiando municípios governados por partidos da base estadual. O documento aponta que regiões comandadas por adversários políticos, como a capital, ficaram em desvantagem. O Rio é administrado por Eduardo Paes, do PSD, que desponta como pré-candidato ao Palácio Guanabara.
Dos recursos analisados, R$ 1,9 bilhão distribuídos até outubro de 2025, 88% ficaram concentrados em municípios governados por PP, MDB, PL e União Brasil, todos partidos aliados do governador. O PP lidera o ranking, com R$ 719 milhões. A legenda tem como principal nome no estado o deputado federal Dr. Luizinho, que também comanda a Secretaria estadual de Saúde.
Na sequência aparecem o MDB, ligado a Washington Reis, com R$ 543 milhões, o PL, partido de Claudio Castro, com R$ 462 milhões, e o União Brasil, de Márcio Canella, que recebeu R$ 190 milhões. Como esses grupos políticos têm sua principal base eleitoral na Baixada Fluminense, a região acabou sendo amplamente beneficiada na distribuição dos recursos.
Os dados mostram que, no período analisado, os 13 municípios da Baixada, que somam cerca de 3,8 milhões de habitantes, concentraram R$ 6,2 bilhões em repasses, o equivalente a R$ 1.633 por habitante. Já a cidade do Rio, com 6,7 milhões de moradores, recebeu R$ 2,2 bilhões, o que representa R$ 332 per capita. Na prática, mesmo tendo 76% mais habitantes, a capital recebeu 61% menos recursos.
‘”Nos últimos anos, os repasses do Fundo têm seguido uma lógica claramente política e eleitoreira. Todas as regiões do estado merecem investimentos, mas os critérios não podem ser políticos-eleitoreiros, e sim técnicos. O problema não está em investir na Baixada ou em qualquer outra região, por exemplo, mas em fazer disso um instrumento de favorecimento político, enquanto a capital, com 6,7 milhões de habitantes, é penalizada por ter um prefeito adversário do governo estadual. Isso é inaceitável, ainda mais quando se trata da saúde da população”, afirmou o vereador Pedro Duarte.