quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 - 5:14

Rio tem 6ª maior taxa de desemprego do país, mesmo com 2º maior PIB

Imagem gerada por Inteligência Artificial

O Rio de Janeiro é dono da segunda maior economia do Brasil, respondendo por 11,4% do PIB nacional, mas ainda assim amarga a sexta maior taxa de desemprego entre os estados brasileiros. Segundo dados mais recentes da Pnad Contínua, do IBGE, a taxa de desocupação fluminense foi de 9,3% no primeiro trimestre de 2025, empatada com Sergipe e atrás apenas de Pernambuco (11,6%), Bahia (10,9%), Piauí (10,2%), Amazonas (10,1%) e Rio Grande do Norte (9,8%). As informações são da Folha de São Paulo.

A título de comparação, a média nacional de desemprego no mesmo período ficou em 7%, a mais baixa já registrada pelo IBGE para o primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2012. Já Santa Catarina liderou com a menor taxa: 3%.

Apesar de uma leve recuperação do mercado de trabalho após os impactos da pandemia, a taxa de desemprego no Rio permanece acima da média nacional e distante dos níveis anteriores à crise de 2014. Naquele ano, no embalo dos grandes eventos esportivos, o índice chegou a 5,8%, tornando-se o oitavo menor do país. À época, o Rio ainda surfava a onda dos investimentos da Copa do Mundo e se preparava para sediar as Olimpíadas.

“Provavelmente, vai levar muito tempo até que a taxa de desemprego fique mais próxima do que tínhamos lá em 2014. O mercado de trabalho estava aquecido naquela época, com obras da Copa e das Olimpíadas. Foi um período extremamente atípico”, explica Jonathas Goulart, gerente de estudos econômicos da Firjan.

Desde então, o estado enfrentou uma sequência de choques que minaram sua economia: recessão nacional, queda nos royalties do petróleo, desmobilização de grandes obras, cortes de investimentos da Petrobras após a Lava Jato e instabilidade política prolongada, com governadores afastados ou não reeleitos.

“Se lá atrás o Brasil teve um cenário muito complexo, o Rio de Janeiro teve uma tempestade perfeita”, resume Goulart.

O impacto dessas crises também se reflete na informalidade, que alcançou 37,2% dos trabalhadores fluminenses no primeiro trimestre de 2025. Esse é o segundo maior índice entre os estados do Sudeste e Sul, ficando atrás apenas do Espírito Santo (37,5%), e muito acima da média de 25,3% registrada em Santa Catarina. Nacionalmente, a informalidade é de 38%, com picos como os 58,4% do Maranhão.

A falta de oportunidades formais agrava a situação de quem vive nas franjas do mercado. É o caso de Karina Larissa Silva Macedo, de 24 anos, moradora de Nova Iguaçu. “Nunca consegui um emprego com carteira assinada. Já fui vítima de gordofobia em processos seletivos. Tenho um filho autista e preciso trabalhar para cuidar dele. É muito difícil”, conta.

Para o economista Gilberto Braga, professor do Ibmec, o Rio vive um momento de recuperação econômica, mas ainda sofre com o acúmulo de décadas de desequilíbrio estrutural. “O estado ainda está no regime de recuperação fiscal. Houve interrupções em políticas públicas, esvaziamento de recursos federais e um deslocamento do protagonismo nacional para São Paulo nas últimas duas décadas”, diz.

A própria Secretaria de Trabalho e Renda do estado reconhece que a taxa de desemprego segue elevada, mas aponta uma tendência de queda nos últimos anos, acompanhando o crescimento de setores como serviços, turismo, construção civil e petróleo e gás. Em nota, a pasta afirma que a retomada tem sido “consistente”, com recordes na criação de empresas e geração de empregos formais, além de ações de qualificação profissional e estímulo ao empreendedorismo.

Para o economista Marcelo Neri, da FGV Social, o Rio precisa ir além dos incentivos e mirar uma reorganização territorial mais integrada, especialmente considerando os desafios da Região Metropolitana, onde vivem três em cada quatro fluminenses.

“O Rio de Janeiro é um estado metropolitano. Enfrenta problemas complexos e coletivos, como o domínio de comunidades por milícias e tráfico, a desigualdade educacional e o envelhecimento da população. São questões que pedem soluções regionais e políticas de longo prazo”, analisa Neri.

O especialista também alerta para o futuro da principal fonte de receita do estado: “O Rio é um estado movido a petróleo, e as reservas são finitas. A partir de 2030, já se projeta queda na produção do pré-sal”, diz. Por isso, acredita que o estado deve se posicionar desde já como protagonista na transição energética.

“Existe potencial para o Rio liderar essa transformação. Mas é preciso planejamento e capacidade de executar políticas que articulem desenvolvimento social e inovação”, completa Gilberto Braga.

Enquanto isso, a população segue entre o desalento e a informalidade, esperando que os números do PIB finalmente se reflitam em empregos de qualidade e melhor distribuição de oportunidades.

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