Em assembleia geral realizada na tarde desta quinta-feira (23/07), no auditório do Sindicato dos Rodoviários, em Rocha Miranda, Zona Norte do Rio, cerca de 250 trabalhadores do transporte coletivo da capital votaram por rejeitar integralmente a proposta do Rio Ônibus (sindicato patronal) e manter o estado de greve no município do Rio de Janeiro.
A contraproposta patronal havia sido apresentada na quarta-feira (22/07) durante audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ).
Rejeição Unânime e Nova Estratégia de Negociação
A proposta apresentada pelas empresas previa um reajuste salarial de 5% e um aumento de 6% no valor da cesta básica, índices considerados insuficientes pela categoria.
Diante da negação em bloco, o Sindicato dos Rodoviários aprovou uma mudança de postura tática: em vez de buscar um acordo unificado com o Rio Ônibus, a entidade passará a negociar diretamente com cada empresa de ônibus de forma individual.
“Optamos por manter as negociações, mas agora em âmbito empresarial. Onde houver avanço, firmaremos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) específicos”, explicou o presidente do sindicato, Sebastião José.
“Os rodoviários reprovaram por unanimidade a proposta do Rio Ônibus de 5% de reajuste salarial e 6% na cesta básica. Está mantido o estado de greve e, a partir de agora, a negociação será por empresa. Onde continuarem as irregularidades, pode haver paralisação por empresa, pois a categoria entende que isso causa menos transtornos para a população”, declarou.
Ameaça de Paralisações Pontuais e Cobrança do “Tempo de Placa”
Apesar de descartarem, por ora, uma paralisação geral imediata em toda a cidade, a categoria deixou o alerta aceso para interrupções cirúrgicas na frota:
- Paralisações Direcionadas: Não estão descartadas paradas pontuais e diárias nas garagens de empresas onde os acordos individuais travarem ou onde forem constatadas irregularidades trabalhistas.
- Ação pelo “Tempo de Placa”: O sindicato anunciou que acionará a Justiça do Trabalho para cobrar o pagamento dos 30 minutos diários em que os motoristas ficam à disposição nos pontos finais recebendo passageiros. A categoria alega que este tempo vem sendo indevidamente abatido como intervalo de refeição ou não remunerado.
- Dissídio no TRT: O processo de dissídio coletivo continuará tramitando no Tribunal Regional do Trabalho, sob a condução do desembargador relator do caso.