A valisíssima Torre do Rio Sul, em Botafogo, entrou no radar de um dos maiores fundos imobiliários do país. O Pátria Escritórios (HGRE11) ofereceu R$ 107,5 milhões pela aquisição de quatro andares do edifício, considerado um dos principais endereços corporativos da Zona Sul do Rio. A proposta foi apresentada ao BM Brascan Lajes Corporativas, fundo administrado pela gestora Argucia Capital, que detém os 21º, 27º, 28º e 40º andares, além de 128 vagas de estacionamento.
As unidades estão atualmente ocupadas por empresas como CNOOC, Sony, o escritório de advocacia Trench Rossi e a Ambipar. Juntos, os imóveis geram mais de R$ 800 mil em receitas mensais de aluguel para o fundo.
Disputa entre os cotistas
A negociação também mobilizou outros investidores. Um fundo da gestora Capitânia, que possui cerca de 28% das cotas do BM Brascan, recebeu a proposta e está pedindo a convocação de uma assembleia para que os cotistas decidam sobre a venda dos imóveis.
Caso a operação seja aprovada, o negócio ampliará a presença do Pátria Escritórios no mercado imobiliário corporativo do Rio. O fundo tem patrimônio de cerca de R$ 1,4 bilhão, é negociado na B3 e reúne mais de 140 mil investidores.
Atualmente, a carteira possui 13 edifícios de escritórios. No Rio, o único ativo é o Edifício Teleporto, na Cidade Nova, onde o fundo possui seis unidades.
Um dos maiores condomínios empresariais do país
Com 164 metros de altura e 40 pavimentos, a Torre do Rio Sul é um dos edifícios comerciais mais conhecidos da Zona Sul. O condomínio reúne 298 unidades e uma cobertura, distribuídas ao longo da torre, além de dois subsolos e um pavimento térreo destinado à garagem.
A construção começou no fim da década de 1970 e foi concluída em 1982, em uma época em que o projeto era considerado um marco da engenharia civil brasileira. O empreendimento foi projetado pelo arquiteto Ulysses Burlamaqui, com cálculos estruturais de Bruno Contarini.
A arquitetura chama atenção pela combinação de concreto, treliças aparentes e grandes áreas envidraçadas, em um desenho considerado arrojado para a época. O prédio também conta com heliponto privativo de uso exclusivo dos condôminos.
Os valores de locação comercial no edifício variam, em média, entre R$ 75 e R$ 110 por metro quadrado. Salas menores podem ter aluguel a partir de cerca de R$ 12 mil mensais, enquanto andares corporativos maiores ultrapassam os R$ 90 mil. No mercado de venda, os valores ficam na faixa de R$ 10 mil a R$ 12,5 mil por metro quadrado, de acordo com informações comerciais do empreendimento.