
O turismo na Rocinha, na zona sul do Rio, vive um momento de expansão. Em janeiro de 2026, o número de visitantes cresceu 37% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Observatório do Turismo Carioca. No último ano, cerca de 41 mil turistas passaram pela maior favela do país.
O destaque vai para os mototours e as visitas às lajes panorâmicas, que oferecem vistas inéditas da cidade. “Hoje, o visitante busca uma vivência real da cidade. Ele quer conhecer as pessoas, entender o cotidiano e ver como a comunidade produz cultura e inovação”, diz Carlos Henrique de Souza, guia local e fundador da Favela Experience Tours.
Apresentações culturais, feiras de artesanato e pontos gastronômicos administrados por moradores complementam a experiência. A tecnologia também impulsiona o setor: drones, vídeos em redes sociais e aplicativos de reservas ajudam na divulgação e organização dos passeios.
O aplicativo Na Favela Turismo, criado por Renan Monteiro, registrou 40 mil check-ins em janeiro de 2026 — cinco vezes mais que os 7,5 mil do mesmo período em 2025. A plataforma mapeia rotas, pontos de apoio e conecta 3 mil guias cadastrados, incluindo 280 para passeios a pé e 482 para mototours.
O crescimento turístico traz benefícios econômicos. Segundo a Aguitur-RJ, o número de guias formalizados cresceu 45% entre 2022 e 2025. “Quanto mais visitantes, mais oportunidades surgem. É possível crescer com responsabilidade e valorizar a cultura local”, afirma Valéria Nascimento, presidente da associação.
Apesar do avanço, desafios permanecem. A comunidade aponta a necessidade de melhorar infraestrutura, planejar fluxo de visitantes e fortalecer práticas de turismo sustentável. A Prefeitura do Rio estuda parcerias com o setor privado para qualificar guias, ampliar pontos de apoio e reforçar a comunicação digital voltada à segurança do visitante.