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Washington Reis abandona família Bolsonaro, fecha aliança com Paes e indica a própria irmã para vice

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Nesta quinta-feira (19/fev), o prefeito do Rio e pré-candidato ao governo do Estado, Eduardo Paes (PSD), fecha uma aliança que, politicamente, vale por três: conquista o apoio do MDB e evita que a sigla, com 11 prefeitos, 17 vices e mais de 100 vereadores no Estado, migre para as hostes de seus adversários Flávio Bolsonaro (PL) e do governador Claudio Castro (PL); acaba com a novela da escolha do cargo de vice. Para o lugar irá a advogada Jane Reis, mulher, evangélica e irmã do presidente estadual do MDB, Washington Reis, mentor do acordo. E, por fim, Paes finca os pés no maior reduto eleitoral da Baixada Fluminense, o município de Duque de Caxias, onde a Família Reis reina soberana há vários mandatos. O acordo será formalizado em ato com a presença do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi.

A aliança surpreendeu o clã Bolsonaro e seus aliados. Em entrevista ao DIÁRIO DO RIO, em julho do ano passado, Washington Reis, recém demitido do cargo de secretário de Transportes pelo governador interino Rodrigo Bacellar (União Brasil), se lançou pré-candidato a governador e disse que tinha o apoio incondicional da Família Bolsonaro, de quem era amigo de longa data.  

Vice evangélica e reduto estratégico

Após conversas reservadas entre Paes e Washington Reis, ficou definida a indicação de Jane Reis, advogada com atuação em projetos sociais na Baixada Fluminense e ligada à Assembleia de Deus. A escolha atende a dois objetivos do pré-candidato do PSD: agregar uma mulher à chapa e dialogar com o eleitorado evangélico, segmento de forte crescimento e influência no Rio. “Vamos indicar a vice amanhã. Paes quer uma mulher”, afirmou Washington.

Antes de Jane, o emedebista havia sugerido o nome do deputado estadual Rosenverg Reis, seu irmão. Paes, no entanto, manteve a preferência por uma mulher. Até então, os cotados ao posto eram homens filiados ao PP, como o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa e o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho.

Há 6 meses, para Reis, Paes não seria candidato

O movimento marca uma inflexão na trajetória recente de Washington. Em julho de 2025, em entrevista ao DIÁRIO DO RIO, ele negava ruptura com Claudio Castro e dizia ter “relação ótima” com o governador. À época, insinuou que Paes poderia sequer disputar o governo em 2026 e afirmou contar com “apoio incondicional” da família Bolsonaro.

“A minha relação com Bolsonaro é desde o início da história. Nossa relação é de irmãos. Sempre foi acordado que, se eu viesse candidato a governador, teria o apoio deles”, declarou então. O ex-prefeito também destacava sua origem evangélica e a atuação na Assembleia de Deus como ativos políticos, além da força eleitoral na Baixada Fluminense, onde foi prefeito de Duque de Caxias por três mandatos e mantém influência por meio do sobrinho, Netinho Reis, atual prefeito do município.

A mudança de posição ocorre após o Supremo Tribunal Federal (STF) adiar novamente, com pedido de vista do ministro Luiz Fux, o julgamento do processo que tornou Washington inelegível por crime ambiental. Diante da impossibilidade de disputar o governo neste ano, ele acelerou as negociações com Paes.

Isolamento do bolsonarismo no Estado

Aliados de Paes afirmam que a entrada do grupo dos Reis “alarga” a chapa e reduz o risco de o prefeito ser identificado exclusivamente como candidato próximo ao presidente Lula (PT), em um Estado que deu ampla votação a Jair Bolsonaro nas últimas eleições.

Ao fechar com o MDB, Paes também dificulta a construção de uma candidatura ao governo apoiada simultaneamente por Claudio Castro e pelo pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro, já que Washington era um dos quadros mais prestigiados pelo clã no Rio.

Além dos Reis, Paes vinha dialogando com outras lideranças do MDB, como o secretário nacional de saneamento, Leonardo Picciani, e o líder do partido na Câmara, Isnaldo Bulhões. A direção nacional da legenda vê na aliança potencial para fortalecer a nominata de deputados federais e estaduais.

Cálculo eleitoral

O PSD avaliava o PP como principal legenda para compor a vice, dada a capilaridade do partido no Estado (segunda legenda com maior número de prefeituras, atrás apenas do PL). As negociações, porém, esbarravam na federação comandada no Rio pelo União Brasil, o que dificultava um acerto antecipado.

Com o MDB assegurado, Paes mantém aberta a segunda vaga ao Senado como moeda de negociação. Uma das candidaturas já foi prometida à deputada Benedita da Silva (PT), em acordo com Lula.

Filiado ao MDB entre 2007 e 2017, partido pelo qual se elegeu duas vezes prefeito do Rio, Paes retorna agora à antiga base como aliado. A sigla, que foi devastada no Estado pela Lava Jato, especialmente após a prisão do ex-governador Sérgio Cabral, busca retomar protagonismo na política fluminense.

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