
O plano vinha de longe, guardado numa gaveta que atravessou décadas. Agora saiu. Zé de Abreu vai se candidatar a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio de Janeiro. O convite partiu de Washington Quaquá, vice-presidente nacional da legenda e prefeito de Maricá. As informações são do blog Agenda do Poder.
A história, segundo pessoas próximas, começa bem antes de novela e palco. Volta a 1968, quando José de Abreu, então estudante de Direito na PUC, participou de protestos contra a ditadura pelas ruas de São Paulo. O projeto político foi sendo adiado, enquanto a carreira artística ocupava todo o espaço. Aos 80 anos, ele decidiu retomar esse caminho.
Antes de dizer “sim”, Abreu fez o roteiro clássico do PT: conversou com figuras influentes do partido, com atenção especial ao ex-ministro José Dirceu, amigo antigo e uma espécie de consultor informal em horas decisivas.
Depois das conversas, o ator topou. Quaquá, claro, comemorou. “Zé é um grande nome da arte e da cultura nacional. Na Câmara, qualificará o debate e dará uma enorme contribuição ao Brasil”, disse Washington Quaquá.
A candidatura não deve ser apenas “mais uma” na lista. A ideia é que Zé de Abreu seja um rosto central do partido na campanha fluminense, ancorando o programa eleitoral do PT na TV e no rádio, praticamente como presença fixa.
As circunstâncias também ajudaram. Depois de uma vida de novelas, Zé de Abreu está sem contrato com a TV Globo, o que abre espaço para se dedicar ao que quiser, sem amarras. Ele segue com teatro e trabalhos para a Netflix, mas deve mergulhar de vez no calendário eleitoral.
Nas redes, onde ele já tem perfil bem político, a exposição virou combustível — e também dor de cabeça. O ator coleciona processos por calúnia e difamação, em geral movidos por adversários, muitos ligados ao bolsonarismo. Ao falar disso, ele ironiza: “Diga-me quem te processa que direi quem tu és”, comentou Zé de Abreu, ao lembrar ações atribuídas a Michelle Bolsonaro e Deltan Dallagnol.