Dados do Global Hepatitis Report de 2024, documento oficializado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçam que as hepatites virais são a segunda principal causa infecciosa de morte no mundo, com 1,3 milhão de óbitos todos os anos. Porém, recentemente, foram feitos grandes avanços na prevenção e no tratamento dessas infecções.
Segundo Márcia Garnica, infectologista do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), da Rede Américas, a segunda maior rede de hospitais privados do Brasil, os tipos mais frequentes de vírus que provocam as hepatites são classificados em letras: A, B, C, D e E. Todos causam doenças no fígado, mas são bem diferentes quanto à forma de transmissão, à evolução e à gravidade da doença e, principalmente, em como prevenir a infecção. Saiba, abaixo, como evitar cada uma delas:
Hepatite A
Causada pelo vírus HAV, a transmissão ocorre, principalmente, pelo consumo de água não filtrada ou alimentos contaminados com fezes de pessoas infectadas. Para evitá-la, é essencial tomar a vacina da hepatite A, indicada a partir dos 12 meses de vida e aplicada em duas doses, com intervalo de seis meses. “É uma vacina muito segura e pode ser aplicada em qualquer pessoa, independentemente da idade, caso ela ainda não tenha sido vacinada ou não tenha se contaminado. Higienizar as mãos antes e depois de se alimentar e ao usar o banheiro, além de lavar bem as frutas e verduras e consumir apenas água potável em locais de boa procedência, também são medidas de prevenção da doença”, afirma a especialista.
Hepatite B
“Já o tipo B é provocado pelo vírus HBV, que é transmitido por meio de contato com sangue, sêmen ou outros fluidos corporais contaminados. Diferentemente da hepatite A, a hepatite B e a C podem evoluir para formas crônicas, que podem levar à cirrose hepática, ao câncer de fígado e a mortes relacionadas com a condição. Pessoas com hepatite B ou C podem ficar por longo tempo sem nenhum sintoma, ou seja, como não sabem que estão doentes, muitas vezes, não procuram tratamento, mas podem transmitir o vírus indiscriminadamente, por exemplo, por meio do sangue ou de relações sexuais desprotegidas. Por isso, descobrir essas infecções é importante para evitar que continuem se espalhando”, detalha.
A vacinação é fundamental para prevenir a doença, assim como o uso de preservativos durante as relações sexuais e o não compartilhamento de objetos cortantes ou agulhas. No Brasil, a imunização é indicada logo após o nascimento, com doses de reforço aos dois, quatro e seis meses de vida. Para adolescentes, adultos ou idosos não vacinados, também há indicação da vacinação, administrada em três doses: a segunda um mês após a primeira e a terceira, seis meses após a inicial.
Hepatite C
É causada pelo vírus HVC, que tem formas de transmissão semelhantes às da hepatite B, especialmente em relação ao contato com sangue e fluidos contaminados. Porém, como ainda não existe vacina própria para esse tipo de hepatite, a prevenção é focada no uso de preservativos durante as relações sexuais e no não compartilhamento de itens perfurocortantes que possam estar contaminados, como seringas, lâminas de barbear, material de manicure e de tatuagem ou qualquer objeto cortante que não tenha sido devidamente esterilizado.
Hepatite D
De acordo com Renata Beranger, infectologista do Hospital Samaritano Botafogo, também da Rede Américas, a hepatite D é uma condição que pode afetar pessoas que já foram infectadas pelo vírus do tipo B, pois o HDV, da hepatite D, depende do HBV para se multiplicar no organismo. Dessa forma, sua prevenção é a mesma da hepatite B em relação à vacinação e ao contato com sangue e fluidos corporais.
Hepatite E
“A hepatite E, causada pelo vírus HEV, é transmitida de forma bem parecida com a da hepatite A, ou seja, pela ingestão de água e/ou alimentos contaminados. Então, para evitar seu contágio, é recomendado consumir apenas água potável, manter a higiene dos alimentos e evitar estar em locais endêmicos, que registram muitos casos de infecção por hepatites dos tipos A e E”, explica.