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PSOL vive crise interna após Tarcísio Motta barrar espaço para ala minoritária na Câmara

Divulgação

Uma reunião da bancada federal do PSOL, realizada na noite de terça-feira (3), terminou em discussão acalorada e troca de acusações entre representantes da corrente majoritária do partido e o grupo minoritário. O estopim da crise foi a escolha do deputado Tarcísio Motta (RJ) para a liderança da bancada na Câmara dos Deputados, decisão que, segundo a ala dissidente, viola regras internas de proporcionalidade previstas no estatuto da legenda.

A corrente minoritária defendia o nome da deputada Sâmia Bomfim (SP) para o posto e reivindicava o direito de comandar a bancada ao menos uma vez ao longo da legislatura. Com a vitória da maioria, o grupo afirma que encerrará o mandato sem jamais ter exercido a liderança parlamentar.

Disputa de poder no último ano da legislatura

A tensão aumentou quando, diante da impossibilidade de reverter o resultado, lideranças partidárias sugeriram uma compensação política. A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi (ES), e a ex-senadora Heloísa Helena propuseram que a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara fosse entregue à ala minoritária.

A sugestão também foi rejeitada. Pelo acordo de divisão de comissões firmado com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a comissão cabe ao PSOL e foi presidida no ano passado pela deputada Célia Xakriabá (MG). O comando da comissão é considerado estratégico dentro da bancada e vinha sendo disputado por parlamentares ligadas tanto à maioria quanto à minoria.

Maioria mantém controle da liderança

Desde o início da legislatura, a liderança da bancada do PSOL está sob controle do grupo majoritário, ligado ao deputado Guilherme Boulos (SP). No primeiro ano, o próprio Boulos ocupou o cargo, seguido por Érika Hilton (SP) e Talíria Petrone (RJ), ambas também cotadas para presidir a Comissão da Mulher.

Tarcísio Motta, que se apresenta como independente dentro da legenda, foi acusado pela ala minoritária de ter se alinhado à maioria para garantir o comando da bancada, sem ceder qualquer espaço de poder parlamentar ao grupo dissidente.

Carta à Executiva Nacional

Diante do impasse, deputadas da corrente minoritária enviaram uma carta à Executiva Nacional do PSOL. O documento é assinado por Sâmia Bomfim e Fernanda Melchionna (RS) e acusa a direção partidária de descumprir o princípio da proporcionalidade interna.

“Não cumprir essa regra remete aos piores métodos dentro da esquerda, de imposição hegemônica da maioria, esmagando os setores minoritários”, afirmam as parlamentares no texto.

Elas também criticam diretamente a postura de Tarcísio Motta:

“Ainda mais lastimável é a postura de Tarcísio, sendo o fiador de todo esse processo, rasgando em definitivo a proporcionalidade da bancada e impedindo, de forma autoritária e burocrática, qualquer tentativa de compensação mínima.”

Tarcísio rebate críticas e nega violação ao estatuto

Procurado, o deputado afirmou que sua escolha respeitou as normas internas do partido e que não há previsão estatutária de rodízio automático da liderança.

“Não existe qualquer artigo nos estatutos da Federação PSOL-Rede ou mesmo do PSOL que determine algum tipo de proporcionalidade da liderança da bancada. Tenho o apoio da ampla maioria dos parlamentares da federação e vou exercer a liderança buscando a unidade e respeitando cada mandato”, disse.

Segundo ele, sua atuação anterior como líder na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, por cinco anos, é reconhecida pelos próprios colegas.

A assessoria do parlamentar reforçou que qualquer rodízio depende de acordo entre os deputados, o que não ocorreu na reunião. Sobre a disputa pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Tarcísio afirmou, em nota, que o espaço já estava definido em acordo consensual desde 2023.

“O grupo político dessa minoria ocupou a presidência da Comissão de Legislação Participativa em 2024 e esteve presente em todas as comissões que solicitou ao longo da legislatura, com vagas importantes como CCJ e CPIs”, afirmou.

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