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Ricardo Couto manda auditar contratos dos Bombeiros por convênio de R$ 25 milhões

Divulgação

O governo do Estado do Rio ampliou a fiscalização sobre contratos do Corpo de Bombeiros Militar após a tentativa de firmar um convênio de R$ 25 milhões com o Instituto Rio Metrópole (IRM), entidade que está no centro de uma investigação por suspeitas de corrupção. A determinação partiu do governador em exercício, Ricardo Couto, que ordenou uma auditoria em todos os contratos da corporação.

A medida foi adotada depois que veio à tona uma proposta para destinar recursos do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (Funesbom) ao desenvolvimento de um sistema de monitoramento de desastres naturais elaborado pelo IRM. A iniciativa, entretanto, foi barrada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que concluiu que o fundo possui destinação específica para investimentos diretamente ligados à atividade da corporação, como compra de viaturas e equipamentos. Após uma reunião entre Ricardo Couto e o comandante-geral dos Bombeiros, coronel Tarciso Antônio de Salles, o processo administrativo foi encerrado.

Outro ponto que passou a ser observado pelo Palácio Guanabara é a relação entre o coronel Tarciso Salles e Davi Perini Vermelho, o Didê, ex-presidente do Instituto Rio Metrópole. Os dois mantêm uma amizade antiga. Em novembro de 2024, o comandante entregou ao então dirigente a Medalha Mérito Avante Bombeiro. Meses antes da prisão de Didê, ambos também participaram de uma comemoração de aniversário, ocasião em que Salles gravou uma mensagem em homenagem ao amigo.

Didê está preso preventivamente e é investigado por suspeitas de corrupção em contratos que, juntos, somam R$ 86 milhões. Como integra a reserva do Corpo de Bombeiros, ele permanece custodiado no Grupamento Especial Prisional da corporação.

A minuta do convênio previa o repasse de R$ 25 milhões do Funesbom ao Instituto Rio Metrópole para a implantação de um sistema de monitoramento de desastres naturais. Após o parecer contrário da PGE, o processo ficou paralisado e acabou arquivado, motivando o governo estadual a ampliar a revisão dos contratos firmados pelo Corpo de Bombeiros.

Paralelamente, a gestão de Ricardo Couto promoveu mudanças na estrutura do Instituto Rio Metrópole. Além da exoneração de Didê, outras 13 pessoas deixaram seus cargos, e novas dispensas ainda são esperadas por meio de publicações no Diário Oficial.

Defesa

Em nota, Davi Perini Vermelho afirmou que todos os contratos e convênios firmados durante sua gestão obedeceram ao rito administrativo, foram acompanhados pelas áreas técnicas e receberam pareceres jurídicos favoráveis.

A defesa também argumentou que o convênio envolvendo o Corpo de Bombeiros não faz parte da investigação conduzida pelo Ministério Público e sustentou que acordos celebrados dentro da legalidade entre órgãos públicos não podem ser tratados como ilícitos apenas em razão da relação de amizade entre gestores.

Nota do Corpo de Bombeiros

Em manifestação oficial, a Secretaria de Estado de Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros informaram que a proposta apresentada pelo Instituto Rio Metrópole percorreu todas as etapas previstas no processo administrativo, passando por análises técnicas, financeiras e jurídicas da própria secretaria, da corporação e dos demais órgãos competentes do Estado.

Segundo a nota, todas as manifestações emitidas durante a tramitação concluíram pela inviabilidade da proposta nos moldes apresentados. Diante desse entendimento, o comandante-geral Tarciso Antônio de Salles determinou o encerramento do processo, seguindo integralmente os pareceres técnicos e jurídicos.

A pasta ressaltou ainda que o relacionamento entre Salles e Didê ocorreu no âmbito institucional, uma vez que o ex-presidente do IRM possui trajetória no Corpo de Bombeiros e, à época, comandava uma autarquia estadual. A secretaria também destacou que nenhum recurso do Funesbom chegou a ser transferido ao instituto.

Por fim, o Corpo de Bombeiros reafirmou que toda a condução do caso observou os princípios da legalidade, da transparência e do interesse público, assegurando que os mecanismos de controle da administração pública foram rigorosamente respeitados.

Custódia de Didê

Em uma segunda nota, a Secretaria de Estado de Defesa Civil esclareceu que a permanência de Davi Perini Vermelho no Grupamento Especial Prisional segue rigorosamente a legislação e as determinações judiciais.

O órgão informou que a unidade é fiscalizada regularmente pela Corregedoria e pelo Poder Judiciário. Ainda segundo a secretaria, em 21 de julho de 2026, a Vara de Execuções Penais realizou uma inspeção surpresa no local, permanecendo por mais de 40 minutos, sem registrar qualquer irregularidade nas condições de custódia ou no funcionamento da unidade.

A nota também informa que o tenente-coronel Sirlei Gomes Gonçalves está à frente do Grupamento Especial Prisional desde maio de 2025 e exerce a função sob fiscalização permanente dos órgãos de controle. Ao final, a Secretaria de Estado de Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros reiteraram o compromisso com a legalidade, a transparência e o correto cumprimento das normas que regem a administração pública.

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