
O Instituto Cultural Candonga foi condecorado com o conjunto de medalhas Pedro Ernesto, a maior honraria da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na madrugada desta terça-feira (17/02/2026), em plena Marquês de Sapucaí. A entrega aconteceu no segundo recuo de bateria da avenida, que leva o nome de Candonga, e virou um daqueles momentos de Carnaval em que a festa para e olha para a própria história.
A homenagem foi proposta pelo presidente da Câmara, Carlo Caiado, e buscou reconhecer o trabalho do instituto que preserva a memória de José Geraldo de Jesus, o mestre Candonga, personagem lendário do Carnaval carioca, morto em 1997. A organização foi criada em 2002 com esse objetivo e mantém atuação social voltada para crianças e jovens.
Para Carlo Caiado, o reconhecimento tem endereço certo. “Candonga é um personagem inesquecível do nosso Carnaval e o instituto que leva o seu nome faz um trabalho social muito importante. Atende mais de 200 crianças carentes e contribui demais para preservar a nossa cultura, especialmente o samba, que é a cara do Rio. Por isso, merece muito esse reconhecimento”, afirmou.
Candonga foi funcionário da Riotur por 12 anos. Ficou conhecido como guardião oficial das chaves da cidade e também como o responsável por apresentar as escolas de samba no Sambódromo. Nome de bastidor que virou símbolo.
O presidente da Riotur, Bernardo Fellows, destacou o peso dessa memória dentro da avenida. “O Carnaval também é celebrado por meio dos grandes personagens que constituem a nossa história cultural. O mestre Candonga é uma dessas figuras que, com seu trabalho e paixão pela festa, deixou seu nome marcado. Sendo ele também um ex-funcionário da Riotur, estou feliz de ver essa homenagem feita justamente no pedaço da Sapucaí que leva seu nome”, declarou.
Entre as histórias mais repetidas sobre Candonga, uma sempre volta: ele estacionava uma velha Caravan marrom entre os setores 9 e 11 e passava as noites de desfile oferecendo água e cuidando dos ritmistas de todas as escolas que cruzavam a avenida.
O conjunto de medalhas foi recebido por Maurício de Jesus, filho de Candonga e presidente do instituto, durante o intervalo entre os desfiles da Mocidade Independente de Padre Miguel, primeira escola da noite, e da atual campeã do Carnaval carioca, Beija-Flor.