quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 - 6:18

Ogan Bangbala, referência do candomblé, morre no Rio aos 106 anos

Foto: Milana Trindade/Divulgação

Morreu aos 106 anos o ogan Luiz Bangbala, apontado como o mais antigo do Brasil. Ele morreu na noite de domingo (15/02/2026), no Rio de Janeiro, após mais de oito décadas exercendo a função no candomblé. O sepultamento está previsto para a tarde desta terça-feira (17/02/2026), no Cemitério Jardim Mesquita, na Baixada Fluminense.

Bangbala estava internado desde 31 de janeiro no Hospital Municipal Salgado Filho, por causa de uma infecção nos rins. A morte foi comunicada nas redes sociais pela esposa, Maria Moreira. “Hoje o candomblé perdeu uma das figuras mais importantes, o Comendador Ogan Bangbala, o mais velho ogan do Brasil, o mestre dos mestres. Meu coração sangra de tanta dor, vá em paz meu amor, meu orgulho, meu mestre”, escreveu.

Nascido como Luiz Ângelo da Silva, em 21 de junho de 1919, em Salvador (BA), ele foi iniciado no candomblé ainda na Bahia e passou a atuar como ogan, função ligada ao toque dos atabaques e à condução do ritmo das cerimônias de recepção dos orixás. Ainda jovem, se mudou para Belford Roxo, onde viveu até a morte.

Além da vida religiosa, Luiz Bangbala também teve presença forte na cultura. Foi um dos fundadores do afoxé Filhos de Gandhy no Rio, gravou dezenas de álbuns de cânticos em língua iorubá e, em 2014, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República. Ele também foi homenageado pela escola Unidos do Cabuçu, em 2020, e virou tema de uma exposição no Centro Cultural Correios, em 2024.

O babalorixá Ivanir dos Santos definiu Bangbala como “o grande griot das nossas tradições, não só dos ritos dos orixás, mas também dos ritos fúnebres”. Para ele, o legado segue vivo no cotidiano das casas. “Ele nos deixou, mas vai sempre continuar presente aos nossos afazeres, no dia-a-dia dessas práticas. Agora ele também é um ancestral nosso. Que continua nos iluminando e sendo presente nas nossas ações dentro das casas de candomblé, dos blocos afros, dentro dessa cultura tão vasta que marca a identidade do povo afro-brasileiro”, disse.

As informações são da Agência Brasil

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