Levantamento mostra crescimento de 50% nos casos de suicídio no Rio entre 2010 e 2019.
Aumento de casos foi maior entre adultos jovens Foto: Unsplash

Levantamento mostra crescimento de 50% nos casos de suicídio no Rio entre 2010 e 2019.

Em 2019, foram 764 casos no estado, segundo a Secretaria de Saúde

Um novo levantamento da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro mostrou que o os registros de suicídio entre 2010 e 2019 aumentaram 50%, chegando a 764 casos em 2019.

O compilado traz o mais recente panorama sobre o tema, uma vez que a determinação de causas de mortes, para a inclusão em um banco de dados nacional, pode levar até 14 meses para ocorrer, de acordo com diretrizes brasileiras. Portanto, os relatórios das secretarias regionais refletem registros totais somente após esse período. Números de 2020 — ano do início da pandemia — só devem ser conhecidos completamente a partir de 2022.

A análise anual mostra um aumento sustentado de registros desde 2014. O mesmo documento traz um detalhamento específico sobre os grupos onde a incidência foi mais alta ao longo de 2018 e 2019. Há, por exemplo, maior prevalência entre os homens (73%), os solteiros (60%) e no grupo de pessoas com idade entre 20 e 39 anos (39% dos casos registrados com idade especificada).

Em relação à maioria de jovens nos registros, é possível fazer uma leitura sobre o impacto de questões que envolvem o trabalho, que — sobretudo nos momentos de crise econômica — podem ter influência direta na saúde mental desse grupo.

— Essa faixa que está começando a vida profissional pode perdido oportunidades, ou acaba de se formar e não consegue emprego — diz Eralda Ferreira, coordenadora de Vigilância e Promoção da Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Eralda ainda fala sobre outro aspecto que merece atenção: os diferentes tipos de preconceitos e exclusões contra a população LGBTQIAP+, uma variável que pode influir nesse tipo de ato.

O mesmo estudo traz considerações sobre casos de violência autoprovocada, que classifica, por exemplo, autoagressões e tentativas de suicídio. Nesses casos, informa o trabalho, é importante destacar “o sofrimento mental” por trás das ações. A pandemia da Covid-19, porém, comprometeu os registros. Entre 2019 e 2020 houve a queda de 16% das notificações, assim como também foram reduzidos os registros de violência doméstica.

O levantamento tem relação com o setembro amarelo, mês de prevenção ao suicídio. Há indícios de que a pandemia tem causado desequilíbrio emocional. As buscas por transtorno de ansiedade no Google, por exemplo, tiveram recorde em 2021.

Fonte: Jornal O Globo