Paes diz que vai recorrer de decisão que proíbe repasse para Comitê Rio 2016

Paes diz que vai recorrer de decisão que proíbe repasse para Comitê Rio 2016

Prefeito reafirmou compromisso com Jogos Paralímpicos e disse que seria uma vergonha para o Brasil não realizar o evento

O DIA

Rio – O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse nesta segunda-feira que os Jogos Paralímpicos Rio 2016 serão realizados e que, em caso de necessidade, já estuda um convênio para o repasse de aporte financeiro, em valor estimado entre R$ 100 e R$ 150 milhões. Paes disse que vai recorrer da decisão judicial que bloqueou a transferência de dinheiro da União e do município para o Comitê Rio 2016. Ele ressaltou que a realização do evento é  “compromisso firmado” no momento da conquista de sediar as competições. No entanto, viu como natural o impedimento do repasse de verbas.

“Lá em 2009, quando conquistamos o direito de sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, eu assinei um compromisso garantindo a realização e, como não poderia deixar de ser, isso será cumprido. Quando um juiz toma uma decisão, ele a faz a partir daquilo que tem conhecimento. Cabe a nós informá-lo agora dos contratos que foram assinados, deixar bem claro que é um compromisso firmado internacionalmente, e que seria uma vergonha para o Brasil, assim como para o desporto paralímpico e para as pessoas com deficiência, se não tivermos condições de realizar o evento. Tenho total certeza de que eles entenderão isso, e essa decisão não seguirá”, afirmou.

Segundo o prefeito, o valor exato do repasse, estimado entre R$ 100 e R$ 150 milhões, ainda será definido. ”É um valor que ainda está sendo detalhado. Não colocamos um número mínimo ou máximo para essa ajuda. Só estamos dando a segurança ao Comitê como órgão garantidor que é a Prefeitura do Rio. Estamos analisando as contas e, até o momento, não constatamos um déficit na folha que nos faça intervir com este montante. Mas, repito, caso haja necessidade, vamos garantir a ajuda e a realização do evento”, disse.

Paes citou também os motivos que podem colaborar para a falta de dinheiro na realização da Paralimpíada. Segundo o prefeito, ao contrário dos Jogos Olímpicos, os Paralímpicos “são um modelo de negócio que não fecha”.

“É um grande espetáculo, mas que ainda não é atraente aos patrocinadores, aos detentores dos direitos de transmissão. A gente observa também uma grande dificuldade na venda de ingressos, o que atrapalha no arrecadamento para a realização das competições. É um modelo de negócio que não fecha, ao contrário da Olimpíada, que se paga sozinha. Mas estamos confiantes que ao final dos Jogos Olímpicos Rio 2016, com a divulgação aumentando, a procura será maior e todos também se empolgarão com a luta desses grandes atletas”.

Eduardo Paes garantiu que o governo federal também está comprometido em garantir a Paralimpíada. Ele destacou a saúde financeira do município que possibilita ajudar o Comitê Rio 2016 caso haja necessidade.

“O presidente interino Michel Temer se comprometeu desde o início em nos ajudar. Conversamos há duas ou três semanas atrás e ele reforçou essa posição. O Estado também ajuda do jeito que pode, mas sabemos que passa por graves dificuldades. Felizmente, o município tem uma saúde financeira plena que possibilita pagar todos seus funcionários em dia, realizar os Jogos Olímpicos e possibilitará também os Jogos Paralímpicos. Todos podem ficar tranquilos. Olimpíada e Paralimpíada nunca foram motivos para atraso ou falta de pagamento do município”, disse.

Os Jogos Paralímpicos ocorrerão entre os dias 7 a 18 de setembro, trazendo mais de 4 mil atletas de 176 nações diferentes. Em 11 dias de disputa, serão realizadas 528 provas com medalhas.

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