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Rio reformula Carnaval movido por mudanças geracionais e novas demandas sociais

Em 2026, são esperados 8 milhões de turistas no Rio de Janeiro, um impacto que deve gerar para economia carioca uma movimentação financeira de mais de R$ 5,7 milhões

CRISTIANE MOTA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDORJ – CARNAVAL/RJ – GERAL – O bloco de Carnaval Amigos da Onca se apresenta no aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, RJ 01/03/2025

Um dos principais destinos do Carnaval está reformulando sua folia. Se em 2025 o Rio de Janeiro aumentou de dois para três dias os desfiles do Grupo Especial na Sapucaí, em 2026 é o ano de ampliar o número de blocos de rua. São 803 inscritos, um crescimento de 17% em comparação com o ano anterior, quando haviam 685. Só que desses, apenas 462 são autorizados. Esse é um recorde para a cidade e, segundo a Riotur, só nos tradicionais bloquinhos, são esperados 6 milhões de pessoas.

O aumento na procura por inscrições de blocos representa a força e credibilidade do Carnaval de Rua do Rio, segundo o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, em entrevista à Jovem Pan.

“O Carnaval de rua tem sido gerido com cada vez mais profissionalismo, segurança e eficiência através da Prefeitura e das parcerias privadas, garantido o lazer de forma democrática”, diz Fellows. “O aumento significativo do fluxo de turistas para a cidade, os blocos são formas de manifestação e trocas culturais, além de uma fonte de renda cada vez mais viável”, acrescenta.

Rita Fernandes, presidente da associação de blocos Sebastiana – Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade do Rio de Janeiro – explica à Jovem Pan que o crescimento do Carnaval de Rua é um reflexo dos últimos 30 anos, quando a capital carioca abriu portas para um tipo de festa mais democrática que também se espalhou para outras regiões, como São Paulo, que tem o maior número de blocos de rua. São 630 blocos autorizados.

Foliões no desfile do Bloco Cordão da Bola Preta pelas ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro

Bloco Cordão da Bola Preta pelas ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro │ONOFRE VERAS/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

“A gente muda pelo próprio fluxo de um Carnaval que é orgânico. A cidade vai mudando, as pessoas e gerações vão mudando e os desejos também”, explica a presidente da Sebastiana. “A mudança do carnaval de rua do Rio ela é uma mudança geracional é uma mudança que parte de novas pautas como pautas de comportamentos”, acrescenta, dando como exemplo pautas sociais como a comunidade LGBTQIA+ e o combate ao machismo.

Crescimento nem sempre é positivo

Apesar do aumento ser visto como algo positivo, Rita Fernandes alerta que também traz problemas. “Na medida que o Carnaval cresce, ele faz com que o poder público queira conter e trazer regras. O crescimento também impõe a normatização e, com isso, a burocratização”, explica.

A presidente da Sebastiana também destaca que o aumento também brilha os olhos das grandes marcas, que passam a entrar no meio. “O crescimento, por um lado, se ele mostra a força, o poder do próprio carnaval, ele também traz problemas inerentes”, relata a especialista que destaca como questões:

  • Excesso de burocracia
  • Disputa de marcas
  • Disputa por patrocínios
  • Mercantilização de um carnaval pouco cultural e caminhando para mercadologia
  • Intensificação de fluxos e complicações de mobilidade urbana.

– Foliões se divertem com o bloco Simpatia é Quase Amor, na orla da praia de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro │MARCELO FONSECA/ESTADÃO CONTEÚDO

Em 2026, são esperados 8 milhões de turistas no Rio de Janeiro, um impacto que deve gerar para economia carioca uma movimentação financeira de mais de R$ 5,7 milhões, além da arrecadação de impostos (ISS) de serviços ligados, direta ou indiretamente, ao Carnaval, de aproximadamente R$ 240 milhões. “Somente dos serviços de turismo e eventos, o Rio arrecada, no mês do Carnaval, mais de R$ 47 milhões”, diz presidente da Riotur, Bernardo Fellows.

Para atender aos foliões, o Rio de Janeiro contará com um esquema especial de transporte. Para garantir a ida e a volta do público aos blocos de rua, aos desfiles na Marquês de Sapucaí e aos grandes eventos, metrô, trens e BRT vão operar 24 horas durante o período.

Mudanças afetam até os Camarotes 

As mudanças geracionais não são vistas apenas na Rua, também reflete na tradicional avenida da Sapucaí. Pela primeira vez na história de um dos espaços mais tradicionais do Brasil, haverá um camarote suspenso a mais de 25 metros do chão. O idealizador do projeto é o Mercado Pago.

camarote suspenso

Mercado pago leva para Sapucaí camarote suspenso a mais de 25 metros de altura │Divulgação

Mas esse não é o único diferencial do ano. Porque o Camarote Nº1, que completa 35 anos em 2026, vai levar para avenida o técnico da Seleção Brasileira, Carlos Ancelotti. Essa será a primeira vez do ‘mister’ no Carnaval brasileiro. “Esse ano, o N°1 vai se transformar em uma grande arquibancada que vibra e homenageia a Seleção Brasileira, assim como fizemos em 2002”, explica Marcio Esher, sócio e diretor de negócios e marketing da Holding Clube.

“Nossa expectativa é que eles possam viver essa festa da melhor forma possível, e que especialmente o Ancelotti, sinta essa energia única que só o Carnaval carioca tem”, acrescenta Esher.

O impacto geracional também não passa desapercebido. “Temos uma parcela alta de um público que nos acompanha há um bom tempo, mas todos os anos registramos em torno de 60% de clientes que estão conhecendo o Camarote N1 pela primeira vez, assim como o público internacional, que passou de uma média de 18% em 2025 para 20% em 2026”, fala Esher.

camarote n1

Camarote Nº1 completa 35 anos na Sapucaí │Divulgação

Pensando já nos próximos 30 anos, eles também têm mudanças nas lideranças. Houve um reposicionamento, que tem como objetivo central “trazer uma nova visão para a gestão do camarote”.

O novo time passa a contar com Marcio Esher, Antônio Oliva, Flavio Sarahyba e Sabrina e Karina Sato. A parceria com a apresentadora não é novidade, mas só agora ela se tornou sócias. A união já existe há mais de 10 anos. “Foi um movimento natural dentro do negócio, que busca crescer o Camarote pela relevância de Sabrina no entretenimento, principalmente por ela ser a Rainha do Carnaval e terna Rainha e musa do N°1″, fala Juliana Ferraz, sócia da Holding Clube e responsável pela divisão de negócios da empresa. 

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Sabrina Sato, musa do Camarote Nº1, é a mais nova sócia │Divulgação

 

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