Coluna Efeito Borboleta

Caros Leitores da Coluna Efeito Borboleta, o presente texto é uma republicação de um artigo da psicóloga Lila Tatiana Carvalho. Profissional conhecida e respeitada, Lila é uma mulher que busca entender a essência humana e suas diversas nuances.

DEPOIS DO AMOR

O que une duas pessoas pode ser tão difícil de explicar quanto o que separa. Mas temos uma necessidade tão grande de entender os porquês das coisas, que exigimos explicações que nem sempre o outro é capaz de nos dar, por diversas razões.
Em seu livro “Sem fraude nem favor: estudos sobre o amor romântico”, o psicanalista Jurandir Freire Costa diz que: “Sem amor estamos amputados de nossa melhor parte. A vida pode até ser mais tranquila e livre de dores quando não amamos. Mas trata-se de uma paz de cinzas”.
Por outro lado, o fim de um relacionamento, frequentemente, vem acompanhado de muita dor, que pode levar tempo para ir embora. Os desdobramentos da vida depois do fim do amor concentram-se, em muitos casos, nas disputas de pensão, filhos e patrimônio e, no lugar do amor, ressentimento, raiva e vingança. Por que algumas pessoas, depois de anos de uma separação, continuam ligadas aquele relacionamento e encontram tanta dificuldade em reconstruir suas vidas?
Lidar com uma separação é lidar com uma grande perda, que é claro, vai ser sempre um processo doloroso. E alguns caminhos podem tornar as coisas mais difíceis. Mais ou menos assim: passado o choque inicial, a pessoa continua a negar o fato, apelando, esperando que o outro mude de ideia a qualquer momento ou até, “descobrindo” que o que sente hoje é muito maior do que pensava. O que é muito delicado, porque é possível que sentimentos como posse e apego estejam falando mais alto.
Tudo ou quase tudo, passa a ser referido ao outro: culpas, reclamações e planos. Que é uma forma de negar que o relacionamento acabou. A segunda etapa é suportar, passar pela dor que é muito grande e por isso, a pessoa tende a não querer atravessá-la, fazendo de tudo para que ela acabe e as coisas voltem a ser como antes.
O perdão é o passo seguinte e muito importante. É preciso tentar perdoar a si mesmo e ao outro (que acaba sendo a mesma coisa). Se não se perdoar por ter feito uma escolha e não outra, será difícil sair desta situação. Com o perdão as coisas podem ir embora. Perdoar o outro por não mais estar no centro da sua vida. Quem não consegue fazer isso fica preso num circuito de ressentimento e vingança que podem, na verdade, ser a confissão íntima de fracasso e insatisfação pessoal.
E, finalmente, o luto ou lamento. Poder chorar suas dores, suas frustrações, pelo que foi de bom e de ruim. Chorar pelo fim.
A melancolia aparece quando o luto não foi vivido. Preso na melancolia, o sujeito se nutre de ressentimento e revolta. A mágoa irá embora a medida que aceitar que o outro se doou por algum tempo, mas não foi capaz de continuar a satisfazer suas expectativas. E que, embora tenha passado por experiências dolorosas, existe algo que permanece seu, que ninguém leva. E aí sim, poderá recomeçar novas buscas. Não só por um novo amor, mas por inúmeras coisas que possam encantá-lo ou criar novos sentidos que tornem a vida mais interessante.

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