Coluna: Efeito Borboleta

CAI O MITO

Vivemos num Estado Democrático de Direito, o que pode parecer, de imediato, uma realidade de fácil compreensão. Entretanto, na prática, não é.
Democracia é um modelo grego antigo, de organização política da sociedade.
Por excelência, a palavra grega DEMOCRACIA, significa o governo do povo para o povo.
Pelo modelo democrático direto grego, o povo teria uma participação mais ativa nas decisões. O que não é simples.
A busca de consenso é uma ação bastante complexa, pois requer uma cansativa “queda de braços”, mas que ao final, promove uma decisão realmente aceita pela maioria.
A Democracia moderna, que exercemos em nosso país, tem características diferentes da apresentada anteriormente. É uma Democracia Indireta Representativa.
Escolhemos através do voto, aqueles a quem confiaremos decisões, ou seja, serão os representantes de nossas escolhas e vontades.
Entretanto, acaba sendo esse o caminho das corrupções políticas, pois na grande maioria das vezes, não cobramos de quem elegemos e demos o poder, exercido muitas vezes, de forma arbitrária e inescrupulosa, o compromisso de nos representarem nas nossas necessidades e direitos.
O aspecto importante do modelo democrático, é o exercício da liberdade, expresso no que foi mencionado anteriormente, na escolha de representantes. Através dela, o cidadão tem a possibilidade de exercer o seu direito de se expressar livremente e receber informações claras e verdadeiras, para aí sim, poder ajustar o que recebeu de informação com o que realmente pensa e tomar suas decisões. Esses direitos são garantidos pela Constituição Federal, lei maior do Estado.
Diante disso, o direito coletivo do povo não pode sofrer censuras, cortes ou cerceamento de informações em prol de vontades individuais, não ferindo a moral e o também direito à personalidade de cada cidadão.
A liberdade de expressão, garantida pela democracia, está diretamente ligada à liberdade de informação e de imprensa. Esta última se manifesta nos componentes de mídia, pois são eles que propagam a informação.
Com relação à imprensa, a responsabilidade dos seus dispositivos de mídia torna-se ainda maior, visto que as informações entram nas casas dos cidadãos brasileiros abertamente, como garante a democracia. Os profissionais da comunicação têm um compromisso inviolável com a divulgação dos fatos, que devem ser amparados pela verdade e pela qualidade do que se informa. O cidadão não merece e não pode, de forma alguma, ser ludibriado ou subestimado em sua reflexão e tomada de decisão diante das noticias.
Por exemplo, na construção de um telejornalod_jornallismo de qualidade, no que diz respeito à produção e edição, diversos fatores são imprescindíveis e devem ser levados em conta na elaboração da pauta. Dentre esses fatores estão a análise de público e a partir dela, as editorias, bem como a seleção de matérias convenientes para tal público e horário.
Como uma empresa de comunicação poderosa na informação, a Rede Globo tem um papel de grande responsabilidade com o público.
Com relação ao jornalod_jornall Nacional, que chega a ser fonte e espelho para outros telejornalod_jornalis, entra na casa das pessoas com tanta propriedade, que as levam a darem boa noite para Willian Bonner, assim como já faziam com Cid Moreira. Aliás, a voz do Cid Moreira era tão marcante que se perpetua até hoje, no imaginário popular. Só em reconhecer a voz dele, já fazia com que as pessoas dessem credibilidade à notícia sem nem mesmo compreendê-la.
Daí a responsabilidade no que se veicula e o respeito a quem assiste e consome tais notícias. A ação política da Rede Globo foi contundente em vários momentos da história brasileira. Como colaboradora do Regime Militar Brasileiro ( 1964 a 1985 ), que a fez pedir desculpas à população anos mais tarde e na ostensiva interferência da emissora na campanha presidencial de 1989, intensificada nos debates entre os candidatos.
No contexto atual, algumas críticas duras foram feitas ao Bonner pelas suas entrevistas com os presidenciáveis, durante o jornalod_jornall Nacional. As opiniões se dividiram e oscilaram entre uma aprovação às suas perguntas enfáticas e uma crítica a essas mesmas perguntas, entendendo sua postura ao fazê-las, como grosseiras e tendenciosas.
A responsabilidade dos veículos de comunicação e principalmente do jornalod_jornall Nacional, pela sua audiência e visibilidade, e do próprio Willian Bonner, aumenta na medida em que participa da formação da opinião pública e interfere na condução do país.
“ Em artigo escrito em 2005, Laurindo Lalo Leal Filho conta um episódio em que professores da USP acompanham a produção do jornalod_jornall Nacional. Retomado, a ótica da passagem retratada em detalhes pelo sociólogo e professor de jornalod_jornallismo da ECA-USP é ainda atual. Durante uma reunião de pauta, Laurindo revela a escolha superficial de William Bonner para as reportagens que, posteriormente, são transmitidas pelo jornalod_jornall carro-chefe da Rede Globo. Com ela, o constrangimento é vivido e acompanhado por nove mestres da Universidade. Como se não bastasse a explícita busca pelo apelo da opinião pública e a dispensa de notícias de impacto social e político, Bonner explicou aos professores e pesquisadores o perfil do telespectador médio do jornalod_jornall Nacional: são Homers Simpsons ( ficam sentados em frente a uma TV, sem opinião própria, contou o âncora e editor-chefe.)”
A preferência por matérias de relevância menor e às vezes até duvidosas, ou mesmo superficiais, está no fato de não se sentirem ameaçados pela concorrência e por isso não valorizam o telespectador, tratando-o com desdém. Outro aspecto desse tipo de atitude é o de não fazer questão de formar cidadãos críticos e questionadores, capazes de interferirem no status-quo instalado na sociedade brasileira há muito tempo.
Esta talvez seja uma realidade instalada não só no jornalod_jornall Nacional, comandado por Willian Bonner e suas “Bonnetes” ( primeiro a Fátima Bernardes, depois a Patrícia Poeta e agora a Renata Vasconcellos ), mas em toda a programação da “toda poderosa” Rede Globo.
Com isso, cai o mito Bonner.
Quem cairá depois?

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