Estado cria normas técnicas para uso de asfalto-borracha
08/11/2011; Cachoeiras de Macacu; Goverandor Sérgio Cabral e o Prefeito Rafael Muzzi de Miranda na Cerimônia de inauguração das obras da Rodovia RJ 122, primeira estrada da América Latina pavimentada com asfalto de alto teor de borracha; Fotos: Carlos Magno

Estado cria normas técnicas para uso de asfalto-borracha

Decreto tem como base a experiência pioneira na RJ-122

O Rio de Janeiro lançou normas técnicas para uso do asfalto-borracha em rodovias do estado. Semelhantes às regulamentações internacionais, as novas especificações definem padrões de qualidade e performance do material e mudam a classificação dos ligantes asfálticos.

A RJ-122 foi primeira rodovia estadual a ser pavimentada pelo DER-RJ (Departamento de Estradas de Rodagem) com asfaltoborracha, no trecho entre Cachoeiras de Macacu e Guapimirim, na Região Metropolitana, em 2011. A nova legislação foi publicada quatro anos depois para que o DER-RJ avaliasse durabilidade, segurança e redução de ruído pelo uso do material.

– Nesses cinco anos, observamos a adequação do asfalto-borracha às condições da estrada. O Decreto nº 43.086, de 18 de julho de 2011, define a política pública estadual para o uso do produto em rodovias e obras rodoviárias, definindo parâmetros de qualidade, perspectivas e a performance do material em função do clima e da carga de trânsito de cada via – afirmou o presidente do DER, Ângelo Monteiro.

O serviço na RJ-122 seguiu o mesmo padrão aplicado nos Estados Unidos, o que garantiu, em 2012, o prêmio da Federação Internacional de Rodovias pela melhor obra de conservação do mundo, graças à qualidade do serviço realizado.

Nas intervenções aplicadas às RJs 145, 125 e 151, o órgão adotou um processo similar, em que a borracha é misturada a polímeros e incorporada ao asfalto durante a obra, com a finalidade de atender às especificações técnicas de cada via. Monteiro explicou que as informações sobre o produto estão disponíveis no site do órgão (www.der.rj.gov.br), e que a tecnologia é compartilhada com as concessionárias que atuam em obras nas estradas estaduais.

– Todas as vezes que entendermos que a solução do problema do pavimento requer o asfalto-borracha, vamos usá-lo. O Governo do Rio quer incentivar todos os setores a utilizarem esse produto, aplicando novas tecnologias para que possamos evoluir com o uso do material, melhorando ainda mais sua performance – disse Monteiro.

Três perguntas para Ângelo Monteiro, presidente do DER-RJ

Em parceria com universidades, pesquisadores e engenheiros dos Estados Unidos, o presidente do DER-RJ, Ângelo Monteiro, tem priorizado o uso de asfalto-borracha nas estradas estaduais.

Como o asfalto-borracha é elaborado?

Ângelo Monteiro – Nesse processo, o pneu é triturado, transformado o material em uma farinha grossa, que é misturada ao asfalto, formando uma pasta muito consistente. Isso é feito no local da obra para atender às especificações técnicas da estrada. Importante lembrar que cada intervenção pede uma solução diferente, em função dos problemas do pavimento e características que a via apresenta, por isso, às vezes, precisamos adaptar a técnica aplicada no processo de pavimentação de cada rodovia.

Quais os benefícios desse material?

AM – Fazemos nossa parte de engenharia sustentável ao tirar de circulação pneus que seriam descartados. O asfalto-borracha é mais econômico (40%), mais durável (60%) mais potente (oito vezes) e precisa de uma camada com espessura menor quando comparado ao asfalto tradicional (4 cm contra 12 cm). A borracha também aumenta o atrito com os pneus, reduzindo acidentes e ruídos. A pavimentação pode durar até 20 anos, enquanto o asfalto tradicional precisa ser restaurado a cada oito ou dez anos, dependendo das condições de uso.

O DER-RJ continua buscando novas tecnologias para o asfalto- borracha?

AM – Temos parcerias com a Universidade e o Departamento Rodoviário do Arizona, nos Estados Unidos, para constante transferência tecnológica e atua- lização dos processos de mistura e verificação da performance, o que coloca o Rio no mesmo nível de paí- ses desenvolvidos. Estamos abertos para visitas técnicas na RJ-122. Além disso, desenvolvemos programas para utilização de escora de alto-forno, um material de rejeito de siderúrgicas. Estamos montando ainda um laboratório onde vamos estudar os produtos disponibilizados pela indústria, que são incorporados aos nossos projetos para transformar o lixo em produtos benéficos à população de todo o Estado do Rio de Janeiro.

Foto: Carlos Magno

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